ELEIÇÃO NA FIESP DIVIDE EMPRESARIADO

Após serem representados durante 52 anos por uma única grande liderança de influência nacional, os 110 mil industriais paulistas correm o risco de eleger, em 1992, dois representantes, provocando um racha histórico. As eleições para as presidências da FIESP e do CIESP ocorrem dentro de 25 dias e há uma clara divisão do eleitorado: o candidato da situação, Carlos Eduardo Moreira Ferreira, garante ter 102 dos 121 votos de presidentes de sindicatos para a eleição indireta da FIESP; o candidato da oposição, Emerson Kapaz, afirma possuir a simpatia de 70% dos nove mil eleitores diretos do CIESP. Para alguns analistas, a FIESP pode se transformar numa entidade burocrática, voltada apenas para problemas trabalhistas. O órgão foi criado em 1930 por Getúlio Vargas, justamente com esse objetivo. O CIESP, por ser uma entidade civil, teria maior fôlego para uma atuação mais ampla, questionando programas econômicos etc. O poder econômico e político da FIESP pode ser medido pelo seu orçamento anual de Cr$24,8 bilhoões. Os recursos destinam-se às atividades do SENAI e do SESI, responsável também por 113 supermercados no Estado de São Paulo. Essas unidades faturaram Cr$103,387 bilhões em 1991, que constituem a 9a. maior rede de varejo paulista. O orçamento do CIESP não fica longe do da FIESP: cerca de Cr$20 bilhões, distribuídos entre os 26 CIESPs, que dão o suporte técnico e jurídico às 110 mil indústrias paulistas (O Globo).