SINDICALISTAS SE MOBILIZAM CONTRA EXTINÇÃO DO FGTS

A proposta de extinção gradativa do FGTS, prevista no projeto de reforma fiscal do governo, não agradou as lideranças sindicais, que já pensam em organizar um movimento para pressionar o Congresso Nacional a rejeitar a medida. Mais uma vez, os sindicalistas lamentam a falta de diálogo do governo Collor ao propor mudanças sem debatê-las com os principais interessados: os trabalhadores. "Primeiro nos obrigaram a optar pelo Fundo de Garantia, que acabou com a estabilidade de emprego. Agora o governo Collor, em meio a uma crise e com falta de credibilidade, quer aumentar a insegurança dos trabalhadores", afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema (SP), Vicente Paulo da Silva. Carlos Alberto Grana, presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT (Central Única dos Trabalhadores), que representa 16 sindicatos com cerca de 400 mil trabalhadores associados, conclui que o pacote de reforma fiscal sugerido pelo governo, apesar de reduzir o volume de impostos, tem como único objetivo aumentar a arrecadação. No caso da Previdência Social, até agora a CUT não obteve resposta à sua proposta de se formar uma comissão tripartite, composta por trabalhadores, empresários e representantes do governo, para gerir os recursos, e que foi encaminhada à comissão da Câmara dos Deputados que estuda a reformulação da política previdenciária. Também não houve retorno do governo sobre o plano de ação conjunta elaborado, em maio, pelas três centrais sindicais-- CUT, CGT e Força Sindical--, que pretende, entre outros pontos, realizar uma campanha pela recuperação do FGTS (O Globo).