O movimento sindical entrou numa fase de maré baixa no governo Collor. Nos primeiros cinco meses de 92, o número de greves caiu à metade das realizadas no mesmo período de 91. O número de grevistas até maio deste ano foi de apenas um terço dos que paralisaram suas atividades no ano anterior. Não faltaram motivos para que os sindicatos empunhassem a bandeira da greve. O salário médio dos trabalhadores caiu a 53,9% do que era em abril de 86 e sofreu uma corrosão de 17% em relação ao obtido quando Collor tomou posse, segundo o DIEESE/SEADE. O desemprego cresceu 24,2% de maio de 91 a maio de 92, atingindo 1,22 milhão de pessoas na Grande São Paulo. Um recorde histórico. A força da recessão acendeu o farol vermelho para as atividades sindicais. O desemprego assusta muita gente, afirma Paulo Pereira da Silva, da Força Sindical. "Há possibilidade de greve quando a empresa tem muito serviço. Ninguém é doido de fazê-la quando isso não ocorre". O consultor sindical de empresas Julio Lobos, acredita que a recessão retirou força dos sindicatos. "Em recessão não tem conversa, as empresas têm o domínio do campo", diz. "Não é pelo número de greve que se avalia o pulso do movimento sindical", afirma o presidente da CUT, Jair Meneguelli. A CUT reúne 1.800 sindicatos e 16 milhões de trabalhadores. Ele admite que "com a espada do desemprego sobre a cabeça do trabalhador, há menos disposição para a greve". Mas acha que o agravamento da recessão reacenderá as reivindicações sindicais no segundo semestre (FSP).