CPI CONTESTA FALA DE COLLOR

Integrantes da CPI do caso PC Farias chegaram ontem à conclusão de que o pronunciamento do presidente Fernando Collor não estava correto ao tentar explicar a origem do dinheiro que sua secretária, Ana Acioli, usava para pagar despesas da Casa da Dinda. No rastreamento dos depósitos nas contas de Acioli, ontem em São Paulo, os parlamentares não acharam sequer um documento assinado pelo ex-secretário Cláudio Vieira. No produnciamento-- quando negou ligação entre Acioli e PC--, o locutor declarou que Vieira era o único responsável pelos recursos. "Aquilo que o presidente disse não corresponde à realidade", disse o senador Mário Covas (PSDB-SP). Os parlamentares da CPI descobriram em São Paulo que nos últimos 12 meses Rosinete Melanias de Carvalho, a "Rose", e Flávio Maurício Ramos-- respectivamente secretária e segurança do empresário Paulo César Farias- =- fizeram depósitos Em cheques de valores elevados na conta no Bancesa de Ana Acioli. Esses depósitos confirmaram as declarações do ex-motorista de Ana, Eriberto França, de que a secretária de Collor telefonava para "Rose" solicitando dinheiro que depois ele sacava no Bancesa. Foi descoberto um cheque no valor de Cr$18 milhões, emitido por uma pessoa cujo endereço comercial é o mesmo da Brasil-Jet (empresa de PC) e depositado na conta de Ana Acioli. Outros dois cheques, emitidos pela EPC - Empresa de Participações e Construções (também de PC) e assinados por Flávio Maurício Ramos e por Jorge Luiz Conceição, também foram recolhidos. O presidente do Congresso Nacional, senador Mauro Benevides (PMDB-CE), disse que os ataques de Collor à oposição podem levar a uma "convulsão social": "O presidente está querendo guerrear". Para o vice-presidente da CPI, senador Maurício Corrêa (PDT-RJ), mesmo que seja inocentado no caso PC, o presidente Collor só vai recuperar sua credibilidade junto à opinião pública se controlar a inflação. O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eugênio Sales, divulgou nota em que pede a erradicação urgente "de toda forma de corrupção, em qualquer nível". Para dom Eugênio, "não se pode mais abafar um grito de verdadeira indignação que nasce do menosprezo à ética na vida pública". Em dois bilhetes ao porta-voz Pedro Luiz Rodrigues e em carta ao ministro- chefe da Secretaria de Governo, Jorge Bornhausen, o presidente Collor voltou a criticar ontem o que chama de "sindicato do golpe". Nos bilhetes, o presidente divide a sociedade brasileira em dois grupos, um a favor do governo e outro contra. Ele afirma que a oposição quer substituir "no governo aquele que o povo escolheu". Na carta a Bornhausen, ele se refere a uma declaração sua de 1988, em que acusa o então ministro da Educação de usar uma "mala de dinheiro" para "comprar" adversários do governo Sarney. O presidente afirma que Bornhausen tem Implecável vida pública" e responsabiliza o "sindicalismo" pela divulgação da fita em que a declaração aparece (FSP) (O Globo) (JB).