A Associación Petroquímica Latino-americana (Apla) quer acelerar o cronograma de desgravamento tarifário do setor, no âmbito do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), informou ontem, em Porto Alegre (RS), o presidente da entidade, Michel Hartveld. Segundo ele, de acordo com o Tratado de Assunção, os petroquímicos terão suas alíquotas reduzidas em 7% a cada seis meses, até o final de 1994, quando cairão a zero. Ocorre que um acordo comum entre as indústrias do Brasil e da Argentina pode antecipar esse processo, na medida em que os dois países têm condições de suprir as respectivas carências de insumos, o que atualmente são importados de terceiros. "O Brasil precisa da nafta argentina e os argentinos, de etileno do Brasil", afirmou Hartveld. Estimativas da Apla indicam que o fluxo de comércio entre os dois países, no setor petroquímico, situa-se entre US$30 milhões e US$40 milhões por ano, principalmente de eteno e propeno (básicos) e de polietileno e polipropileno (polímeros). Com a antecipação da redução das alíquotas, é esperada uma duplicação desse volume. "O processo de integração dos países do Cone Sul é irreversível", disse Hartveld. "Por isso é importante ao setor buscar benefícios práticos de forma imediata, o que pode resultar em ganhos de eficiência". Conforme informou, inicialmente a Apla pretende firmar um acordo de restrição voluntária para que os fluxos de comércio se dêem de forma limitada, o que vai proporcionar maior suavidade no processo de transição das trocas comerciais. Após essa etapa, ocorrerá um acordo setorial, o que será, depois, submetido aos ministros de Economia dos dois países para posterior aprovação dos governos. Para Alejandro Achával, vice-presidente da Indústrias Petroquímicas Argentinas S/A, que participou da reunião da Apla, a antecipação do desgravamento tarifário do setor vai permitir maior complementariedade entre o Brasil e a Argentina. Isso porque é possível ampliar os fluxos comerciais, apesar de haver assimetrias entre os dois países no que se refere a insumos como gás, energia elétrica, tarifas e cargas fiscais. Para eliminar essas diferenças, cabe aos governos fazerem a sua parte, disse ele. Hoje, segundo Achával, os preços internos dos petroquímicos nos dois países se equivalem, e, mesmo que a taxa cambial praticada pelos argentinos seja considerada defasada, esse fator não seria entrave para o aumento do fluxo comercial entre as indústrias. No global, segundo Hartveld, o Brasil exporta atualmente cerca de US$1 bilhão por ano de petroquímicos, o que representa 40% da produção nacional. A Argentina alcança US$350 milhões em receitas externas anuais, o que corresponde a 45% da produção. O programa de integração latino-americana da Siemens, segundo seu presidente, Hermann Wever, já pode ser considerado um sucesso e as exportações da empresa no Brasil, que no ano passado atingiram a US$38 milhões, vão superar, neste ano, a marca de US$66 milhões. "O MERCOSUL foi o inspirador desse programa de racionalização sem qualquer dúvida", disse ele. Wever conta que, com a unificação da Europa, a Siemens passou a adotar o mesmo programa naquele continente. "Somente no caso da unificação das duas Alemanhas temos hoje já contabilizados uma contratação de 25 mil empregados na Alemanha do Leste, onde, há dois anos, não operávamos" (GM).