USINEIROS DISCUTEM COM PAÍSES DO MERCOSUL

Os produtores brasileiros de açúcar e álcool vêm mantendo negociações com seus parceiros argentinos, uruguaios e paraguaios para criar um mecanismo, no âmbito do MERCOSUL, que possibilite aos brasileiros exportarem álcool para aqueles países, os quais, em contrapartida, manteriam fechados os seus mercados de açúcar. A próxima rodada de negociações-- envolvendo as entidades e associações representativas do setor sucroalcooleiro dos quatro países-- acontecerá no próximo dia sete na sede da Cooperativa Agrária Ltda. Norte Uruguaio (Calnu), em Montevidéu. Por enquanto as gestões estão se dando apenas em nível de produtores,
48213 que, depois de fecharem um ponto comum de equilíbrio para a integração
48213 dos mercados de açúcar e álcool, levarão cada qual a seu governo estudos
48213 contendo as sugestões para essa integração, para que haja uma discussão
48213 oficial em nível de MERCOSUL, explica o presidente da Associação das Indústrias de Açúcar e de Álcool do Estado de São Paulo (AIAA), José Pilon. O ponto de partida das conversações é o interesse do Paraguai, Uruguai e, principalmente, Argentina pelo álcool anidro brasileiro para ser adicionado à gasolina, resultando num combustível por eles batizado de nafta ecológico, disse Pilon. "O objetivo deles é implantar um programa nos moldes do nosso Proálcool, o qual estabelece a mistura de anidro em 22% à gasolina", ressaltou o presidente da Copersucar, João Guilherme Sabino Ometto. Hoje, apenas o Paraguaio faz adição de anidro à gasolina, embora em volume menor do que é misturado no Brasil, disse Pilon. A Argentina, até 1989 utilizava gasolina adicionada ao álcool, mas tal combustível teve o seu consumo interrompido devido a problemas na produção de álcool argentina. Mas a Secretaria de Meio Ambiente, criada há poucos meses pelo presidente Carlos Menem, já manifestou o interesse de substituir o chumbo como aditivo na gasolina pelo álcool anidro. A Argentina consome atualmente cerca de seis bilhões de litros por ano de gasolina. Segundo Pilon, adotando uma mistura de 20% de álcool anidro o mercado para o etanol como aditivo na Argentina seria de 1,2 bilhão de litros anuais. "Como os argentinos possuem uma capacidade instalada para produzir 400 milhões de litros de álcool, teríamos um potencial para exportação de 800 milhões de litros por ano caso os argentinos voltem a produzir álcool. Somada à demanda do Paraguai e Uruguai, o mercado potencial de anidro no MERCOSUL seria de um bilhão de litros por ano", estimou Pilon. Em contrapartida, a abertura do mercado argentino, paraguaio e uruguaio para exportação de álcool brasileiro está condicionada à preservação do mercado de açúcar daqueles países. "Os produtores daqueles países estão preocupados com o fim das barreiras comerciais a partir de 1995 com o MERCOSUL, pois o açúcar brasileiro é extremamente competitivo em relação ao produto daqueles países", disse Ometto, da Copersucar. A tonelada do açúcar brasileiro é produzida a um custo de US$195, enquanto na Argentina esse custo oscila entre US$300 e US$350 a tonelada. A Argentina produz cerca de 1,3 milhão de toneladas, exportando algo em torno de 300 mil toneladas por ano. O Paraguai consome quase todo o açúcar que produz, cerca de 100 mil toneladas. O Uruguai importa por ano aproximadamente 60 mil toneladas, enquanto o Brasil produz cerca de 8,3 milhões de toneladas, exportando 1,8 milhão. Segundo Ometto, para atender à demanda adicional de álcool anidro dos países do MERCOSUL, os produtores brasileiros poderiam destinar a parcela de cana moída, reservada à produção do açúcar exportado, para se produzir álcool, além de investimentos para aumentar a produção nacional de álcool (GM).