De olho no MERCOSUL, o grupo Siemens está implantando um programa de racionalização de investimentos envolvendo suas 20 unidades na América Latina, visando equilíbrio entre vários mercados, aumento de produtividade e considerando vantagens de transporte e normas técnicas. Uma das primeiras iniciativas é a concentração da fábricação de tipos de relés mais produtivos na unidade paulista da Lapa, que deixou de produzir outros tipos, agora somente fabricados na Argentina. As novidades vão impulsionar as exportações da Siemens brasileira, que passará de US$38 milhões em 1991 para US$60 milhões este ano. O exemplo de confiança no MERCOSUL foi dado ontem pelo diretor-presidente da Siemens S/A do Brasil, Hermann Wever, também presidente do Conselho Integrado das Câmaras Brasil-Alemanha. Ele foi um dos coordenadores do 2o. Seminário do MERCOSUL, realizado na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), reunindo empresários das Câmaras de Comércio da Alemanha, com Uruguai, Argentina e Paraguai. Wever ressaltou que o encontro foi "um treinamento" para os empresários começarem a preparação para a reunião da Comissão Mista Brasil-Alemanha, a ser realizada pela primeira vez em Porto Alegre (RS) no mês de outubro, com a presença de ministros dos dois países. Sem chance-- O empresário Wolfgang Sauer, ex-presidente da Autolatina e atual consultor de empresas brasileiras sobre comércio exterior, alertou no seminário para a ineficiência industrial e baixa produtividade brasileira. Ele citou que, na construção civil, por exemplo, há somente 10% de material de entulho numa obra a nível mundial. "No Brasil, com o desperdício, o índice é três vezes maior", lamentou. Para ele, o êxito do MERCOSUL depende do sucesso das políticas de estabilização, mas ressaltou: "O MERCOSUL vai funcionar porque não temos outra chance de desenvolvimento da região". Sauer ressaltou que "a economia brasileira não vai morrer" em função da crise política envolvendo o presidente Collor. Ele lembrou que, no Japão, houve crise semelhante e a economia não parou. Para Sauer, é uma "boa oportunidade para diversificar os rumos da economia, que é muito orientada para Brasília" (JB).