COLLOR ATACA "SINDICATO DO GOLPE"

O presidente Fernando Collor chamou os defensores de seu afastamento de membros do sindicato do golpe. A expressão está em bilhete enviado ontem ao porta-voz Pedro Rodrigues para divulgação à imprensa. Collor não identifica os integrantes do "sindicato". Diz que se os defensores de seu afastamento "continuarem a conspirar contra a vontade do povo, acabarão excomungados pela multidão fiel e silenciosa". O presidente mencionou pesquisas favoráveis à sua permanência no cargo. Collor afirma que as pesquisas deixaram seus opositores "na ilha do choro inútil". O IBOPE divulgou uma pesquisa em que 67% dos entrevistados acham que ele deve ficar no governo. O senador Mário Covas (PSDB-SP) criticou a nota do presidente Collor e disse que "a verdadeira pesquisa" é feita todos os dias nas ruas. Recebido ontem por Collor, o governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT) responsabilizou a CPI do caso PC Farias pelo "ambiente de golpe" em que, na sua opinião, vive o país. Brizola acusou a CPI de criar um palco para que se pregue a derrubada do governo. Disse que o presidente do PMDB, Orestes Quércia, está no centro do movimento golpista, cujo objetivo é impedir a eleição presidencial de 1994 e implantar o parlamentarismo. O governador disse ainda que fazem parte da "atividade golpista" o presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva, grupos empresariais e os jornais "Folha de S.Paulo" e "O Estado de S.Paulo". Quércia reagiu às acusações, alegando que "as oposições têm sido espectadoras da crise", pois as denúncias começaram pelo irmão do presidente e prosseguiram envolvendo pessoas do próprio governo. O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, assegurou que a mobilização das oposições visa apenas prestigiar o caminho legal da apuração das denúncias. "As investigações não dependem de nós. Se houver algo podre envolvendo o presidente Collor, isso vai aparecer sem a nossa interferência", disse Tasso (FSP) (JB).