A sociedade não está quieta nem calada e nem é corrupta ou golpista. Essa convicção do sociólogo Herbert de Souza, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), para quem o caminho mais provável do presidente Fernando Collor é o da renúncia, levou-o a ajudar a organizar no Rio de Janeiro uma vigília pela ética na política e pela democracia. Dia sete, no Teatro de Arena da UFRJ, representantes de mais de 200 entidades lerão 12 artigos da Constituição que lembram os princípios fundamentais da ética na política, dos direitos sociais, da democracia e das responsabilidades do presidente da República. Entre esses artigos está o 86, que define o julgamento e o impedimento do presidente. A idéia de Herbert de Souza é repetir o sucesso da vigília realizada dia 23 em Brasília. Ele espera reunir mais de mil pessoas que, vela num das mãos e a Constituição na outra, discutirão alternativas para a crise política brasileira e iniciarão mobilização que pode repetir, oito anos depois, o sucesso da campanha pelas Diretas Já. Entre as entidades estão a OAB, a CNBB, a SBPC e a ABI. "As velas não pretendem enterrar ninguém, mas iluminar os caminhos", comentou Herbert de Souza, que prometeu nova vigília também em São Paulo (JB).