No dia nove de julho de 1988, quando ainda era o "caçador de marajás" e atacava com veemência o presidente José Sarney, o então governador de Alagoas, Fernando Collor, afirmou, para uma platéia de mais de 200 pessoas, em Petrópolis (RJ), que o ministro da Educação à época, Jorge Bornhausen, era "o homem da mala preta" que tentava corromper as pessoas que estavam a seu lado. "Ele chegou lá com a mala preta cheia de dinheiro, comprando, querendo comprar quem estava comigo", afirmou Collor. Suas palavras e sua imagem estão gravadas em uma fita de vídeo, apresentada ontem a um grupo de senadores, no gabinete do presidente do Congresso Nacional, Mauro Benevides (PMDB-CE). O vídeo de 40 minutos foi gravado pelo estudante de Engenharia, Alexandre Alcântara, de 28 anos, que estava na platéia e votou em Collor para presidente. No vídeo, Collor dedica dois minutos a reclamar das pressões que estava sofrendo, especialmente do então ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, e de Marco Maciel, chefe do Gabinete Civil naquela ocasião. O ataque mais forte, contudo, foi contra Bornhausen que, segundo ele, chegava com a mala cheia de dinheiro, e dizia para o seu pessoal: Toma esse dinheiro aí para você construir um prédio, mas você aplica
48172 na campanha de fulano, e lá na frente você presta contas comigo. Ontem mesmo, o atual ministro-chefe da Secretaria de Governo de Collor, Jorge Bornhausen, mandou dizer que acusações de campanha são típicas do processo político brasileiro (JB).