MOTORISTA ACUSA PRESSÃO DE CORONEL DO PLANALTO

Em depoimento à CPI do Congresso Nacional que investiga o caso PC Farias, o ex-motorista do Palácio do Planalto Eriberto Freire França disse que dois assessores do presidente Fernando Collor tentaram localizá-lo, para fazê-lo voltar atrás em suas denúncias. Ele reafirmou à CPI que a secretária de Collor, Ana Acioli, utilizava dinheiro recebido do empresário Paulo César Farias e de suas empresas para pagar despesas da Casa da Dinda, residência de Collor. O ex-motorista apresentou novas denúncias na CPI. Entre as novidades, disse que recebia cheques e fazia depósitos semanais na conta de Ana Acioli no valor médio de Cr$25 milhões, para pagamento de despesas da Casa da Dinda; contou que retirou de uma concessionária um carro em nome de Collor, e garantiu que jamais fez qualquer depósito ou recebeu ordens de Cláudio Vieira, ex-secretário apontado por Collor como o encarregado de suas despesas. Segundo França, estiveram na casa de sua sogra, o capitão Dário César Cavalcanti e o sargento Luiz Amorim. Os dois são assessores especiais da Presidência da República e serviram como seguranças na campanha eleitoral de Collor. Dário diz que o motorista mentiu. Mas uma cunhada de França, que se identificou ao telefone como Rosana, diz que Dário telefonou e esteve na casa de sua mãe (sogra de França) duas vezes. A CPI obteve cópias de extratos da conta da secretária Ana Acioli no banco Bancesa, em Brasília (DF), onde PC estaria realizando depósitos. O movimento da conta é incompatível com a renda da secretária. Embora tenha um salário de Cr$2.228.078,26 no Planalto (valor de junho), só o extrato de maio registra movimento de Cr$250 milhões. Ela teria ainda uma terceira conta no mesmo banco. O presidente Fernando Collor não exclui a possibilidade de sua secretária ter recebido favores de PC. Collor não descarta nem mesmo a hipótese de PC ter depositado dinheiro na conta de sua auxiliar. Nas reuniões com ministros e assessores, o presidente afirma que, se isso aconteceu, foi sem o seu conhecimento. O proprietário da locadora de carros Locabrás, de Brasília, Mauro Valério, disse ontem que alugava para a empresa Brasil-Jet, de PC, o Opala Diplomata de placa SC-5555, que era utilizado pela secretária Ana Acioli. Em seu pronunciamento, Collor não fez nenhuma referência às denúncias de que sua secretária utilizava veículos alugados por empresas de PC. Segundo as denúncias da revista IstoÉ", Acioli usava também um Santana alugado por empresas de PC. PC Farias omitiu em seu depoimento à CPI, no dia nove de junho, a sua ligação com a Fidal Paris & Associes, do grupo KPMG, uma das maiores redes internacionais de consultoria e auditoria empresarial. O diretor da Fidal, Jean-Michel Boirac, confirmou que PC é seu cliente, mas recusou-se a dar qualquer outra informação. A` CPI, o empresário disse que mantém apenas uma conta no exterior, no Banque Nationale de Paris Intercontinentale. O Congresso Nacional pode contratar, sem licitação, advogados ou empresas de auditoria, em nível internacional, para subsidiar os trabalhos da CPI. A autorização foi dada ontem pelo TCU (Tribunal de Contas da União), sugerindo apenas que se consiga a proposta mais vantajosa através da mais ampla pesquisa de mercado (FSP) (O Globo) (JB).