O ex-chefe da agência central do SNI (Serviço Nacional de Informações), o general da reserva Newton de Oliveira Cruz, 67 anos, foi absolvido ontem da acusação de sequestro, homicídio qualificado e ocultação de cadáver do jornalista Alexandre Von Baumgarten. Também foi absolvido o ex-agente do SNI Mozart Belo e Silva, 42 anos. O julgamento, no 1o. Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, começou no último dia 30 e durou cerca de 30 horas. O sete jurados absolveram o general por unanimidade. O promotor Murillo Bernardes Miguel disse que vai recorrer por considerar a absolvição uma "decisão manifestada contrária às provas dos autos". O bailarino Cláudio Werner Polila, única testemunha que disse ter visto o general sequestrar o jornalista na madrugada de 13 de outubro de 1982, confirmou a acusação, mas caiu em contradição e foi ridicularizado pelo advogado de defesa, Clóvis Sahione. Uma das contradições de Polila foi dizer que não poderia reconhecer o ex-agente do SNI Morzart Belo e Silva, apontado por ele mesmo como um dos sequestradores. Com base nisso, o promotor Bernardes Miguel pediu que o júri abosolvesse o ex-agente, réu do mesmo processo (FSP).