O Conselho Superior de Economia da FIESP propôs ontem, após reunião extraordinária, um ajuste fiscal de emergência para preservar a capacidade do governo de gerir a política econômica. Isso daria um pouco de oxigênio para a economia", disse Sérgio Bergamini, diretor do Departamento de Economia da entidade. O Conselho-- um grupo de ex-ministros e líderes empresariais e acadêmicos-- defendeu a adoção de uma ponte fiscal e tributária capaz de conduzir o país até a entrada em vigor de uma ampla reforma. A iniciativa parte da premissa de que o Congresso Nacional não conseguirá aprovar qualquer reforma fiscal este ano, o que inviabilizaria sua entrada em vigor a partir de 1993, como pretende o governo. Para o ex-ministro da Fazenda em membro do Conselho, Maílson da Nóbrega, a fonte de arrecadação do Imposto-ponte" poderia ser um aumento nas alíquotas do atual ITF (Imposto sobre Transações Financeiras). "O governo conseguiria arrecadar perto de US$8 bilhões ano, com esta receita, de modo que até 1995 a dívida mobiliária de US$30 bilhões estaria eliminada", disse Maílson. O Imposto-ponte", a ser abolido automaticamente com o novo sistema tributário, seria totalmente canalizado para reduzir a dívida mobiliária do governo. "Se algo não for feito logo os juros vão explodir", previu Bergamini, referindo-se ao elevado custo dos títulos que o governo emite para rolar a dívida. O documento do Conselho da FIESP condiciona a criação do Imposto-ponte" a medidas de controle de gastos e de redução dos juros. Segundo Bergamini, o novo tributo não aumentaria a carga fiscal de quem já paga impostos. A proposta da FIESP foi uma resposta ao crescimento dos rumores que davam conta de que o governo adotaria a dolarização da economia, mudando a política antiinflacionária. "A dolarização seria um salto no escuro e um ato de desespero", diz o documento. "É preciso dar um basta a experimentos que têm transformado a economia brasileira em laboratórios e os cidadãos e empresas em cobaias de cercas idéias", afirma o documento (FSP) (O Globo).