COIMBRA REFUTA ACUSAÇÕES AO GOVERNO

O secretário-geral da Presidência da República, embaixador Marcos Coimbra-- cunhado e um dos mais íntimos colaboradores do presidente Fernando Collor-- depôs ontem durante quase cinco horas na CPI do PC Farias. Coimbra afirmou que a maioria das acusações contra o governo, veiculadas pela imprensa, se mostrou infundada, e acrescentou que Collor sempre mandou investigá-las. O maior número de perguntas referiu-se ao caso VASP, mas Coimbra negou qualquer tentativa de sua parte de obter da PETROBRÁS privilégios para a empresa aérea. Ele garantiu que as contas da Casa da Dinda eram pagas pela secretária particular de Collor, Ana Acioli, mas com dinheiro do presidente. Coimbra foi interrogado também sobre os telefonemas de PC para o Palácio do Planalto e as providências ante denúncias de tráfico de influência. O embaixador se embaraçou quando o deputado José Genoíno (PT-SP) perguntou quais seriam, na opinião do secretário, as consequências na hipótese de serem confirmadas as denúncias sobre a ligação de PC com Collor: "Peço licença para não responder", afirmou. Ele atribuiu o desgaste da imagem de Collor a um "problema de traição, inveja e ciúme" de Pedro Collor, irmão do presidente, e do ex-deputado Renan Calheiros. Afirmou também que depois de gozar grande prestígio durante a campanha presidencial, em 1989, o empresário Paulo César Farias "esfumou-se, deixando de ter importância para o governo". Ele disse não ter opinião sobre o empresário (O Globo).