A REPERCUSSÃO DO PRONUNCIAMENTO DE COLLOR

Líderes empresariais, governadores de estados e parlamentares comentaram ontem o pronunciamento do presidente Fernando Collor em relação às denúncias de corrupção envolvendo o empresário Paulo César Farias. A seguir alguns desses comentários: Leonel Brizola (PDT), governador do Rio de Janeiro-- "o presidente ofereceu uma resposta à altura. Suas afirmações foram concludentes". Ciro Gomes (PSDB), governador do Ceará-- "foi positivo o fato de o presidente ter negado sua relação com PC e aformado a necessidade de se apurar as denúncias". Luiz Antônio Fleury (PMDB), governador de São Paulo-- "foi um pronunciamento com conteúdo, no qual o presidente apresentou documentos. Devemos aguardar as investigações da CPI dentro dos princípios da Constituição, confiando que elas serão feitas com lisura". Antônio Carlos Magalhães (PFL), governador da Bahia-- "foi um pronunciamento claro e decisivo. O presidente foi convincente. Cabe a nós aguardar que a CPI puna os corruptos. O país não pode parar em função dos falsos moralistas". Vilson Kleinubing (PMDB), governador de Santa Catarina-- "o pronunciamento foi muito claro e o presidente deixou evidente que a CPI pode continuar trabalhando". Geraldo Bulhões (PSC), governador de Alagoas-- "foi um pronunciamento claro. Demonstrou que Collor continua com a mesma força que lutou contra as agressões que sofreu nas campanhas para governador". Ulysses Guimarães (PMDB), deputado federal-- "foi positivo porque foi um convite à reflexão. Foi infeliz quando anunciou como sua iniciativa a convocação do Congresso. Esta prestação de contas foi positiva. Não devemos nos antecipar às conclusões da CPI". Luís Inácio Lula da Silva, presidente do PT-- "não há como convecer a sociedade com esses argumentos. No fundo, o Bancesa disse apenas que está analisando a conta". Benito Gama, presidente da CPI de PC-- "acho que estamos trabalhando no sentido de buscar a verdade dos fatos. Foi um pronunciamento importante; a CPI continua trabalhando para esclarecer a verdade". Marcelo Lavénere Machado, presidente da OAB-- "considero o pronunciamento do presidente Collor absolutamente inócuo". Olacyr de Moraes, presidente do grupo Itamarati-- "não é o caso de renúncia, no momento. Se a CPI concluir que as acusações contra o presidente forem procedentes deve levá-las às últimas consequências". Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico-- "acho que o presidente vai acabar renunciando, ele está em contagem regressiva". Edmundo Klotz, presidente da ABIA-- "foram palavras de um estadista. O país precisa continuar enquanto não forem concluídas as apurações da CPI. Não podemos nos julgar juízes e ficar perdidos em devaneios diante de algumas testemunhas". Rogério Bonfiglioli, presidente da Associação das Instituições Financeiras-- "o mercado financeiro é suficientemente maduro para não ser afetado pelos desdobramentos da CPI do PC". Francisco Canindé Pegado, presidente da CGT-- "não acredito em nada". Vicente Paulo da Silva, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernado do Campo-- "minha expectativa era outra. Esperava que ele se desculpasse e renunciasse. A fala foi contra as expectativas do povo". Mino Carta, diretor de Redação da revista IstoÉ"-- "a IstoÉ está convencida de que o presidente Fernando Collor não conseguiu responder às denúncias feitas pela revista na sua última edição". Herbert de Souza, sociólogo e secretário-executivo do IBASE-- "o pronunciamento do presidente não convenceu a ninguém. Ele não dura até o próximo domingo". Carlos Eduardo Moreira Ferreira, candidato da situação à presidência da FIESP-- "ao apresentar os dados e as provas, o presidente deu início a um processo de esclarecimento. Eu, como toda a nação, aguardo mais subsídios e mais esclarecimentos". Emerson Kapaz, candidato da oposição à presidência da FIESP-- "achei convincente. Ele apresentou contraprovas muito fortes e retormou a iniciativa. Isso só aumenta a responsabilidade da CPI. Não concordo quanto ao complô revanchista a que o presidente se referiu" (FSP) (O Globo) (JB).