A abertura de mercados nos países do Cone Sul, permitindo a venda de produtos e a compra de insumos a preços internacionais, poderá tornar rentáveis médias propriedades da região Sul do país dedicadas à pecuária. No Paraná, enquanto a preços de mercado somente grandes propriedades conseguem hoje cobrir seus custos totais, com a paridade do MERCOSUL passam a ser rentáveis propriedades com cerca de 380 hectares. No Rio Grande do Sul, propriedades que empregam tecnologia mais avançada tornam-se rentáveis a partir de uma área de 800 hectares. Nas que empregam tecnologia tradicional, a área mínima economicamente viável passa de 3,9 mil hectares para 1,8 mil. Os dados constam de um informe sobre custos e rentabilidade da pecuária nos três estados do Sul, elaborado pelo Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (IEPE) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O trabalho está inserido em um amplo estudo sobre a competitividade de produtos agropecuários nos países do MERCOSUL, executado entre setembro de 1991 e abril de 1992 sob a coordenação do Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca do Uruguai (MGAP), com o apoio da agência governamental alemão de fomento à pesquisa GTZ. O estado mais beneficiado com a abertura de mercados, segundo o IEPE, é o Paraná, onde o custo médio de produção de carne bovina cai 45%. "O fato é explicado pela alta utilização de adubos e máquinas na atividade e pela prática da implantação de pastagens após um plantio de milho. Como os preços internacionais de adubos e máquinas são muito inferiores aos praticados no Brasil, o custo de implantação de culturas é bastante reduzido", explicou Atos Grawunder. Ao mesmo tempo, acrescentou o pesquisador, o preço do milho no mercado do Paraná (US$0,11 na média mensal dos últimos anos, pelo câmbio comercial) é inferior ao do mercado externo (US$0,18). A interação milho- bovino leva (a preços de partidade no MERCOSUL) a um custo de implantação negativo nas pastagens daquele estado, favorecendo a pecuária. Suínos anti-econômicos-- A pesquisa do IEPE mostrou que a produção de suínos do Sul do país sofrerá impacto negativo com a abertura de mercados. "Mesmo explorações com alta tecnologia não conseguirão cobrir seus custos variáveis, considerando-se uma taxa de juro fixa de 6% ao ano", disse Grawunder. Mais de 80% dos custos de suinocultura são variáveis, incluindo o da alimentação, 60% constituída por milho. O médio produtor com alta tecnologia vem obtendo uma receita média anual equivalente a US$0,88 por quilo vivo, diante de um custo equivalente a US$0,92. A paridade da moeda com o MERCOSUL provoca uma queda da receita para US$0,79 por quilo vivo ao ano, e uma elevação do custo para US$0,98. Somos levados a acreditar que, sem uma proteção à suinocultura, a
48105 abertura de mercado provocará o desaparecimento da pequena produção.
48105 Sobreviverá a exploração altamente tecnificada, assim mesmo após
48105 mudanças significativas na tecnologia de produção, avaliou Grawunder. Mesmo a tentativa de substituição do milho pelo sorgo (30% mais barato) na alimentação dos suínos resolve a situação somente no nível de preços de mercado. Com preços paritários, restaria cobrir os juros do capital (6% ao ano). O IEPE considerou médio produtor com alta tecnologia o que trabalha com 20 matrizes terminando 20 animais por matriz ao ano (GM).