Um levantamento da TELESP-- obtido com exclusividade por este jornal-- sobre as ligações feitas somente de um dos telefones do escritório do empresário Paulo César Farias em São Paulo comprova que, ao contrário do que disse à CPI, ele tinha acesso amplo ao gabinete da Presidência da República e a diversos dirigentes de órgãos do governo federal, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Secretaria de Desenvolvimento Regional, Ministério da Infra-estrutura e Departamento de Abastecimento e Preços do Ministério da Economia, além da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Nos registros feitos durante 11 meses há ligações, por exemplo, para a presidência da Central de Medicamentos justamente no período em que foram feitas compras mais tarde denunciadas como irregulares. E, ainda, chamadas para bancos na Suíça, nos EUA e nas Bahamas, que podem dar pistas sobre as contas bancárias no exterior. Embora o presidente Fernando Collor e PC afirmem que não se falam há 18 meses, em 20 de fevereiro passado foi dado um telefonema do escritório para o ramal de Collor no Palácio do Planalto. Em um só dia, o escritório paulista de PC chegava a dar 10 telefonemas a diferentes órgãos públicos. Segundo levantamento feito pelo DAC (Departamento de Aviação Civil), os dois jatinhos do empresário PC Farias fizeram, entre maio de 1990 e junho deste ano, 21 vôos para o exterior, e duas dessas viagens foram clandestinas. Os destinos mais frequentes dos aviões do empresário alagoano, nesses dois anos, eram os paraísos fiscais do Caribe e a desconhecida Ilha do Sal, próxima ao litoral africano, uma espécie de ponto de passagem para a Europa. Os jatinhos também voaram para Cuba e para a cidade boliviana de Santa Cruz de la Sierra. Em depoimento de mais de cinco horas à CPI sobre PC, ontem, o ex- presidente da PETROBRÁS, Luís Octávio da Motta Veiga, afirmou que o ex- tesoureiro de campanha de Collor chegara a comentar que estaria administrando a formação de caixa para futuras eleições. Motta Veiga também confirmou denúncias de tráfico de influência de PC em negócios da estatal e o telefonema do secretário geral da Presidência, embaixador Marcos Coimbra, no caso VASP-PETROBRÁS. Disse, porém, não dispor de gravações sobre suas conversas com PC e Coimbra. A secretária particular do presidente Collor, Ana Acioli, recebeu ontem da Receita Federal uma notificação de que está sendo investigada pelo Fisco e deve colaborar, prestando os esclarecimentos necessários. Segundo denúncia da revista IstoÉ", Ana Acioli era quem recebia o dinheiro de PC para custear as despesas da Casa da Dinda (O Globo).