COLLOR TENTA SALVAR O MANDATO HOJE EM PRONUNCIAMENTO

Isolado, o presidente Fernando Collor de Mello tenta reagir hoje à crise que ameaça encurtar o seu mandato, a 30 meses da data prevista para o fim. Em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, busca explicar a nova onda de denúncias de tráfico de influência e irregularidades que atingem o governo federal. Até seus ministros, porém, duvidam que o presidente seja capaz de rebater de modo convincente as informações de que sua secretária, Ana Acioli, pagava as contas da Casa da Dinda, sua residência em Brasília (DF), com dinheiro recebido do empresário Paulo César Farias. Os ministros Jorge Bornhausen (Secretaria de Governo), Célio Borja (Justiça), Marcílio Marques Moreira (Economia) e Ricardo Fiúza (Ação Social) acharam frágeis os primeiros argumentos de Collor-- de que sua secretária tinha "vôo próprio". Outros aliados do Palácio do Planalto, como o governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães (PFL), passaram a condicionar a manutenção do apoio político a explicações defensáveis. O ministro da Educação, José Goldemberg, declarou-se perplexo diante das notícias e disse que "começam a aparecer documentos que precisam ser explicados". Os ministros militares também já não descartam a hipótese de renúncia ou Impeachment" do presidente. O vice Itamar Franco recebeu dos ministros da Marinha, Mário Flores, e do Exército, Carlos Tinoco, a garantia de que toma posse em caso de afastamento de Collor. Nos quartéis, segundo visão unânime dos ministros militares, não há clima de golpe ou "aventuras". Todos repetem que a Constituição será mantida. A visão dominante é de que, na eventual saída do presidente, assumiria sem contestações o vice- presidente. Argumenta-se nos quartéis que as Forças Armadas não têm lideranças, projeto nacional e saíram desgastadas do poder. O porta-voz da Presidência, Pedro Luiz Rodrigues, admitiu que pode haver desconforto no ministério de Collor, caso as denúncias não sejam respondidas de forma convincente. Rodrigues disse que Collor dará explicações que esclarecerão não só a opinião pública, mas a própria equipe de governo. Com isso, admitiu a existência de um desconforto na equipe que outros setores do governo tentavam a todo custo negar (FSP) (O Globo) (JB).