O Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL) deve começar em breve a mostrar seus reflexos no Brasil, apesar das limitações impostas pelas dificuldades nas economias do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai. Os diplomatas que participaram da segunda reunião de presidentes do MERCOSUL, realizada na estação de esqui de Las Len~as, na Argentina, já têm informações de que os acordos e tratados formalizados pelos presidentes dos quatro países devem ser seguidos por ações concretas dos empresários. Beneficiados pelo novo estatuto de empresa binacional, por exemplo, empresários do setor farmacêutico brasileiro pretendem associar-se a indústrias argentinas, com larga experiência no setor, para enfrentar a concorrência multinacional. O Estatuto da Empresa Binacional, ratificado no dia 27 pelos presidentes do Brasil, Fernando Collor, e da Argentina, Carlos Menem, dando privilégios de empresa nacional nos dois países a qualquer associação entre argentinos e brasileiros, afeta até as estatais. A futura privatização da empresa petrolífera argentina, a YPF, abre caminho para que a PETROBRÁS aumente suas reservas em petróleo sem perfurar um poço. As autoridades do setor analisam a possibilidade de a PETROBRÁS participar da privatização da YPF, beneficiando-se do Estatuto da Empresa Binacional. O MERCOSUL está sendo didático, chamando atenção para problemas de
48052 competitividade que eram pouco conhecidos nos quatro países, diz o representante brasileiro nas discussões técnicas do MERCOSUL, embaixador Rubens Barbosa. A discussão de temas como competitividade e aproveitamento dos recursos naturais dos quatro países levaram os presidentes do MERCOSUL e da Bolívia a firmar um acordo para aperfeiçoamento da hidrovia Paraná- Paraguai, que já existe de forma precária ha quase 30 anos, com movimento de 600 barcaças entre Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina, por 3.400 quilômetros. Com a correção das irregularidades da hidrovia, o trânsito poderá ser feito também à noite e nos períodos de seca, tornando mais competitiva a mineração no Centro-Oeste. Mineradoras brasileiras planejam investir na região cerca de US$200 milhões, para extrair minério de ferro e manganês e exportá-los pelos portos da Bacia do Prata. Uma viagem da Bolívia ao Prata, que hoje leva até 40 dias, será reduzida a um terço com a hidrovia (O Globo).