CAVALLO DESACONSELHA A DOLARIZAÇÃO NO BRASIL

Apelar para a dolarização da economia, no Brasil, seria um erro. Quem diz isso é o próprio pai do plano econômico argentino, Domingo Cavallo, que há mais de uma semana vem conversando com o ministro da Economia do Brasil, Marcílio Marques Moreira. Nos últimos dias, os dois estiveram juntos numa reunião de ministros da economia latino-americanos, na Venezuela, num encontro com o secretário do Tesouro norte-americano, Nicholas Brady, em Washington, e na reunião do MERCOSUL. O sucesso argentino se baseou no trabalho que antecedeu o plano, de
48049 profundo saneamento nas finanças públicas e geração de superávits
48049 primários, disse Marcílio, confirmando a avaliação de Cavallo, que desaconselha a dolarização no Brasil. Na Argentina, a inflação caiu de 200% para 0,7% mensais. No atacado, o índice está em zero por cento. O que fizemos para vencer a inflação não foi uma dolarização, mas
48049 equilibrar o orçamento público, explica Cavallo, que resume sua fórmula numa frase simples: "Para cada peso que sai dos cofres do governo, um tem de entrar". Cavallo recebeu carona de Marcílio para a viagem à Venezuela, há duas semanas, e retribuiu levando-o a Las Len~as. Ele queixou-se da excessiva ênfase dada ao termo "dolarização" no Brasil, quando é citado o plano argentino. Só fiz o plano quando estive plenamente seguro de que o orçamento estava
48049 perfeitamente equilibrado, comenta. Marcílio falou a Cavallo das dificuldades para bancar a reforma fiscal. O ministro argentino acredita que teve mais facilidade "porque a sociedade argentina estava traumatizada pela hiperinflação". Ele disse que o dólar funciona como uma âncora para o peso, impedindo a emissão descontrolada e dando credibilidade à moeda. O governo não pode emitir mais pesos que os dólares de suas reservas. Cavallo disse que a vinculação do peso ao dólar inverteu o comportamento dos argentinos, que antes recusavam o peso e só queriam a moeda norte- americana. Mas reafirmou que a dolarização, sem um prévio e profundo ajuste nas contas do governo, seria catastrófica (O Globo).