Empresários brasileiros estão sendo convidados a instalarem fábricas no Paraguai. A afirmação foi feita ontem, no Rio de Janeiro, em tom de alerta, pelo presidente da Comissão Executiva de Reforma Fiscal, Ary Oswaldo Mattos Filho, no seminário "A reforma fiscal: o projeto governamental". Sem o ajuste, que reduziria a carga tributária das empresas, disse ele, a economia do país pode ser atropelada pelo MERCOSUL. Ele teme emigração de investimentos. No Uruguai e Paraguai, por exemplo, não há impostos sobre a renda.
48018 Precisamos estar preparados para 1o. de janeiro de 1995, quando será
48018 estabelecido o livre fluxo de bens e serviços entre os países do
48018 MERCOSUL, disse. A exposição de Ary Oswaldo e Sérgio Werlang, outro membro da comissão, sobre o projeto de reforma fiscal teve muitos apartes, que confirmaram a tese de Ary Oswaldo sobre as quatro grandes resistências ao ajuste: empresas se preocupam com o imposto sobre ativos; bancos, com o ITF; secretários de Fazenda, com o local de cobrança do IVA; e municípios, com o ISS. O ex-ministro Mário Henrique Simonsen perguntou o que poderia produzir aumento de caixa ainda este ano. A resposta de Ary Oswaldo só veio mais tarde, em entrevista: nada, fora o ITF, que pode entrar em vigor de imediato. Mas ele lembrou que, este ano, a União passa a contar com o imposto de renda sobre a pessoa jurídica relativo ao exercício. O pagamento referente a 92 começa em julho (O Globo).