A integração econômica da Amazônia ocidental com os mercados do Atlântico Norte e do Pacífico bem como a modernização e a racionalização dos sistemas de transporte que servem a Zona Franca da Manaus foram os temas da primeira reunião da comissão executiva interministerial criada em abril pelo governo, mas que só foi formalizada na semana passada. Durante o encontro, foi elaborado um cronograma de trabalho que, até outubro próximo, deverá apresentar um projeto de medidas que viabilizem a recuperação econômica da região. A visão básica dos trabalhos da comissão, segundo Helson Cavalcanti Braga, assessor da Secretaria de Desenvolvimento Regional, parte do princípio de que "é fundamental evoluir na questão da integração da América Latina, que hoje está centrada basicamente no MERCOSUL". A proposta é criar canais de integração também para os estados brasileiros da Amazônia junto aos países que com eles fazem fronteira (Venezuela, Peru, Bolívia, Colômbia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa). A comissão vai tocando seus levantamentos a partir dos relatórios elaborados pelas duas comissões, também interministeriais, que vinham trabalhando desde agosto de 1991 e que se juntaram pela portaria de abril. Delas já resultaram algumas prioridades, que agora estão sendo avaliadas em detalhes para serem encaminhadas ao Executivo. A principal é a que estabelece a necessidade de se viabilizar a ligação da rodovia BR-364, que vai de Cuiabá a Porto Velho e dali ao Rio Branco, com a BR-317, que sai de Rio Branco e seque até Assis Brasil, na fronteira com o Peru. A ligação, que é a mais simples entre os dois países, segundo os estudos apresentados pelos diversos ministérios, depende apenas do asfaltamento do trecho de 290 quilômetros da BR-317, do lado peruano, "para o qual o governo de Lima nos informou que já tem projetos", explica Braga. A saída para os mercados do Atlântico Norte, como forma de escoamento para exportação da produção da Zona Franca de Manaus e para o próprio abastecimento da região, por outro lado, prevê o asfaltamento da rodovia BR-174, parte do qual já está sendo implementado pelo governador do Amazonas, Gilberto Mestrinho, segundo Braga. A rodovia, que liga Manaus a Boa Vista, poderá prosseguir até o marco BV-8, na fronteira com a Venezuela, que já tem uma estrutura rodoviária considerada excelente pelos levantamentos realizados, na ligação da fronteira ao porto (GM).