O processo de integração regional, que leva países a interligarem suas economias formando os chamados "blocos econômicos", está caminhando a passos rápidos na América. Existem 11 acordos regionais já formalmente estabelecidos e mais sete sendo estruturados, segundo levantamento feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) neste ano. Dos acordos já existentes, o Brasil participa em três: Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) e um acordo bilateral com a Argentina. O Brasil também aparece negociando futuros arranjos comerciais no âmbito do programa Iniciativa para as Américas, lançado em junho de 1990 pelos EUA. Nesse último caso, o Brasil não atua sozinho, pois o acordo-quadro assinado com os EUA também foi firmado pelos governos da Argentina, Paraguai e Uruguai-- os sócios do Brasil no MERCOSUL. Esse acordo entre o MERCOSUL e os EUA ficou conhecido como "Quatro mais Um". O estudo do FMI observa que o governo do presidente George Bush já assinou acordos-quadro com 29 países no continente americano, incluindo México e Bolívia que firmaram arranjos antes de ser lançada a Iniciativa para as Américas. Esse programa tem como objetivo final formar uma zona de livre comércio em todo o continente. O programa dos EUA é apontado pelo estudo do FMI como sendo um dos fatores que vem despertando um interesse renovado dos países da América Latina e do Caribe pela integração regional. Além disso, os recentes acordos firmado e as negociações em andamento também sinalizam uma reação defensiva à formação do mercado comum da Comunidade Econômica Européia (CEE), previsto para vigorar a partir de janeiro próximo. O terceiro fator, que explicaria os diversos arranjos atualmente em pauta, é o eventual fracasso da Rodada Uruguai do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). Nesta oitava rodada do GATT mais de 100 países discutem a harmonização de regras para o comércio mundial. Os mais ativos-- Dentre os 32 países pesquisados pelos economistas do FMI, Venezuela tem o primeiro lugar na lista daqueles que mais têm se dedicado a negociar acordos regionais. Os venezuelanos fazem parte da ALADI e do Pacto Andino, grupo que reúne Bolívia, Chile, Colômbia e Peru. Além disso, o governo venezuelano está envolvido em negociações com Chile, Colômbia e México para criação de zonas de livre comércio. O governo mexicano de Carlos Salinas de Gortari aparece em segundo lugar no ranking dos países mais ativos na área de acordo regionais. Além de pertencer à ALADI, o México tem desde o ano passado um acordo com o Chile para formar uma zona de livre comércio bilateral. Em terceiro lugar vem a Argentina, principal parceiro do Brasil no MERCOSUL. Há poucos dias, o presidente Carlos Saul Menem anunciou que em dezembro próximo deverá assinar com a Venezuela e a Colômbia. O ministro da economia argentino, Domingos Cavallo, revelou ontem, em Las Len~as, que o MERCOSUL poderá estabelecer com a Europa e o Japão acordos do tipo quatro mais um. Cavallo destacou que na recente reunião com o chefe do Tesouro dos EUA Nicholas Brady percebeu grande ânimo no governo de Washington (GM).