BRASIL NÃO RECEBEU DINHEIRO DO FMI

O presidente do Banco Central, Francisco Gros, disse ontem que o FMI só não liberou a parcela vencida do empréstimo de US$2 bilhões feito ao Brasil na assinatura do último acordo entre o país e o Fundo porque o Brasil "não pediu". Segundo Gros, só interessa ao país receber o dinheiro do FMI em janeiro de 1993. O empréstimo feito do FMI ao Brasil é do tipo "stand-by". Ele pressupõe liberações trimestrais de parcelas (cerca de US$250 milhões cada), ao longo de dois anos, à medida que forem sendo cumpridas as metas acertadas na carta de intenções. No primeiro trimestre, o Brasil deixou de cumprir pelo menos a meta de déficit operacional (saldo devedor das contas do Estado, incluindo juros). Para receber o dinheiro, teria que pedir "waiver" (perdão) ao FMI. No final deste mês, vence outra parcela que o Brasil outra vez não deverá receber. O presidente do BC informou também que três questões básicas estão ainda impedindo o fechamento de um acordo da dívida do Brasil com os bancos credores internacionais. A primeira é que o Brasil quer pagar este ano apenas 30% dos juros que estão vencendo. Os bancos, de seu lado, querem 50%. A segunda questão é que os credores querem converter em investimentos, pelo valor de face e em qualquer setor da economia brasileira, cerca de US$1,8 bilhão oriundos da renegociação feita em 1988. O Brasil, por sua vez, só aceita converter os títulos para aplicação no seu programa de privatização. A outra questao seria a dos termos financeiros (condições de pagamento) dos chamados bônus de transição, que serão usados no programa de entrega pelo Brasil das garantias do acordo (FSP).