BRADY PEDE REFORMAS SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA

Ao final de um dia de debates, ontem, em Washington, o secretário do Tesouro dos EUA, Nicholas Brady, e ministros de Economia de 11 países latino-americanos concluíram unanimemente que não há contradição entre estabilidade econômica e crescimento, ou entre crescimento econômico e justiça social. Brady resumiu o evento dizendo que foi uma conversa sobre mudanças e oportunidades na América Latina. "O que está nascendo aqui é uma nova parceria de proporções históricas, e com muita substância", disse. O documento final foi curto. Ele destaca "os crescentes elos entre os sistemas econômicos e financeiros dentro do hemisfério", além do compromisso de todos os ministros em manter a recuperação econômica "e continuar na direção de mercados livres e abertos". Por isistência dos EUA, os latino-americanos também se comprometeram a distribuir melhor a riqueza que começam a produzir, através da implementação-- daqui por diante-- de uma reforma social. Ao final do encontro, os ministros assinaram um documento se comprometendo a assegurar a "boa governabilidade" e a diminuir os entraves burocráticos em seus países. Coube ao ministro da Economia do Brasil, Marcílio Marques Moreira, falar em nome dos vizinhos. Ele sustentou que, ao contrário do que se diz, a década de 80 não foi perdida. "Nesse período a América Latina criou condições para ressurgir e se colocar de novo no mapa mundi", disse. Apesar disso, ao descrever o comportamento da região naquele período, Marcílio fez um "mea culpa" do Brasil. Disse que o governo brasileiro errou na década passada, pois se esqueceu do povo. "Na década de 80 a diplomacia brasileira se recusava a aceitar a idéia de que era preciso haver um atendimento às necessidades básicas do homem, porque achava que isso não era desenvolvimento. Hoje, isso já é uma página virada", comentou (O Globo).