RENAN PROPÕE DETECTOR DE MENTIRAS PARA COLLOR

Em depoimento prestado ontem à CPI do Congresso que investiga o caso PC Farias, o ex-deputado e ex-líder do governo, Renan Calheiros, sugeriu que o presidente Fernando Collor se submeta a um detector de mentiras. Renan disse que alertou o presidente há cerca de dois anos sobre o "esquema PC". A CPI pode pedir a Collor que responda às acusações por escrito. O Palácio do Planalto anunciou que Renan será processado pelo presidente por calúnia, injúria e difamação. Em seu depoimento, Renan confirmou as denúncias que fizera sobre a existência de um "alto comando do esquema PC" dentro do Palácio do Planalto e que, segundo ele, "verdadeiramente governava o país". Esse comando seria constituído pelo ministro-chefe do Gabinete Militar, general Agenor Homem de Carvalho; pelo ex-secretário de Assuntos Estratégicos, Pedro Paulo Leoni Ramos; e pelo ex-secretário particular da Presidência, Cláudio Vieira. Renan Calheiros informou também ter demovido a idéia do presidente Fernando Collor de nomear para o Ministério da Ação Social a primeira-dama Rosane Collor. O ministro da Justiça, Célio Borja, disse estar "louco" para deixar o cargo. "Só penso nisso", afirmou. Segundo ele, o presidente Collor "deve ao país" explicações sobre seu relacionamento com o empresário Paulo César Farias. O ministro afirmou ainda não ter condições de implementar uma reforma política em razão das denúncias contra o governo. Em Maceió (AL), o empresário Pedro Collor de Mello disse que duvida que seu irmão, o presidente Fernando Collor de Mello, tenha coragem de fazer um exame de sanidade mental. "Quando me disseram que estava louco, eu fiz o exame e provei que estava bom. Agora duvido que o Fernando tenha coragem de fazer o exame de sanidade". Para ele, "todo mundo envolvido na CPI deveria fazer o exame". Em São Paulo, a ex-ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, depôs na Polícia Federal e negou ter levado ao presidente Collor informações sobre tráfico de influência praticado por PC. Aos jornalistas, Zélia se recusou a falar sobre supostos bilhetes que teria recebido de PC com pedidos de favores particulares. Afirmou, ainda, que o ex-deputado Renan Calheiros pode ter se equivocado ao revelar que ela tenha ouvido de Collor a recomendação "vá fazendo, vá tocando" aos pedidos de PC. O relator da CPI, senador Amir Lando, afirmou que já reuniu provas para denunciar, por enriquecimento ilícito, o empresário Paulo César Farias e mais sete pessoas, entre elas Cláudio Vieira. Segundo Lando, há indícios de evasão de receita, sonegação fiscal, extorsão, corrupção, exploração de prestígio, tráfico de influência e formação de quadrilha. Por esses delitos, PC pode ser condenado de sete a 42 anos de prisão e ter seus bens sequestrados. Segundo o senador, "existe uma conexão de empresas no Brasil, Miami (EUA) e França que deve ser ainda investigada" (FSP) (O Globo).