A produção brasileira de álcool caminha para a marca de 16 bilhões de litros na virada do século. A atual safra, que começou a ser colhida em maio último no Centro-Sul, a maior região produtora do combustível do mundo, já será recorde. Pelas estimativas da Secretaria de Desenvolvimento Regional, as moendas vão produzir neste ano 13,2 bilhões de litros de anidro e hidratado, além da oferta de 163,4 milhões de sacas de açúcar de 50 quilos. Embora o conjunto de usinas de açúcar e álcool e de destilarias seja suficiente para atingir a produção prevista sem grandes investimentos, o que preocupa o setor, no momento, é a oscilante oferta de matéria-prima, a cana-de-açúcar. Sem o crescimento dos canaviais em mais 500 mil hectares a meta do ano 2000, aprovada pelo governo federal no ano passado, não decolará dos papéis da matriz energética nacional. Acrescentar mais meio milhão de hectares com os verdes pés de cana-de-açúcar significará uma produção de 40 milhões de toneladas da matéria-prima. Atualmente, a área da lavoura canavieira cobr cerca de quatro milhões de hectares de terras no Brasil-- mais da metade, 2,2 milhões de hectares, no interior do Estado de São Paulo. A produção global de cana hoje, que serve tanto para açúcar como para álcool, já ultrapassa 230 milhões de toneladas. A indústria sucroalcooleira em todo o país deverá apresentar um faturamento neste ano de aproximadamente US$6 bilhões, nas estimativas da Associação das Indústrias de Álcool e Açúcar (AIAA). O setor deverá participar com 2% do PIB brasileiro. O governo deverá arrecadar cerca de US$1,6 bilhão em impostos com a comercialização de açúcar e álcool. A produção nacional de álcool na safra 1992/93 está prevista em 12,5 bilhões de litros ante os 12,7 bilhões de litros da safra recorde do ano passado. A produção de açúcar foi prevista em 173 milhões de sacas de 50 quilos, volume idêntico ao registrado em 1991. A estimativa de produção de cana para todo o país é de 226 milhões de toneladas para 1992/93, o que significa queda de 2% a 3% (GM).