Os grandes projetos agropecuários com mais de 100 hectares que tiveram incentivos fiscais da SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia) foram responsáveis por 70% dos desmatamentos verificados na Amazônia Legal-- que compreende nove estados brasileiros-- em 1991. No Estado do Mato Grosso do Sul, que respondeu com 26% do total de desmatamentos no ano passado (11,1 mil km2) 84% de todas as terras privadas estão ocupadas com projetos agropecuários com áreas superiores a mil hectares, o que acelera o ritmo dos desmatamentos no estado. A denúncia foi feita ontem pelo pesquisador do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Philip Fearnside. Ele apontou falhas no decreto do presidente Fernando Collor, de 25 de junho de 1991, que cortou de forma definitiva os incentivos fiscais para os projetos agropecuários em áreas de floresta tropical na Amazônia. "O decreto abriu espaço para que os antigos projetos agropecuários, que ainda são incentivados pelo governo, continuem desmatando grandes áreas de floresta", apontou Fearnside. "Na própria declaração de Imposto de Renda de pessoa jurídica deste ano ainda foram declarados os incentivos de projetos agropecuários", acusou (JB).