O presidente Fernando Collor teve ontem uma demonstração de que poderá ficar cada vez mais isolado em meio às denúncias de corrupção em seu governo. Cerca de 30 entidades civis, reunidas no Congresso Nacional numa Vigília pela ética na política, defenderam a tese do Impeachment", caso as investigações da CPI sobre PC Farias comprovem a conivência do presidente. Segundo o presidente nacional da OAB, Marcelo Lavenere, um dos organizadores da manifestação, a vigília é um "alerta ao presidente Collor". Para ele, "desde o início, as denúncias apontam para Collor". Se a CPI concluir por sua responsabilidade, o caminho seria um processo de
47894 impeachment, disse. A prefeita de São Paulo, Luiza Erundina (PT), também defendeu, durante a vigília, que a CPI "vá às últimas consequências". Não se pode retardar medidas mais enérgicas, afirmou. A vigília movimentou os corredores do Congresso e esvaziou as votações em plenário. Vários parlamentares de todos os partidos compareceram à mobilização. Entre eles, os presidentes da Câmara, Ibsen Pinheiro (PMDB- RS), e do Senado, Mauro Benevides (PMDB-CE). Lideranças partidárias também compareceram. Além da OAB, participaram da vigília a CNBB, a CUT, a CGT, a Força Sindical, a ABI e diversas entidades de classe e de direitos humanos (FSP).