Com a participação das Federações do Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio de Janeiro e Minas Gerais, a CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) realizou, nos dias 5 e 6 de maio, um encontro sobre o MERCOSUL (Mercado Comum do Cone Sul), com o objetivo de discutir o projeto de integração, suas consequências para a agricultura e para os trabalhadores rurais. O seminário teve a participação de um técnico do Ministério da Agricultura, que explicou a parte formal do projeto, e de dois especialistas no assunto, o professor Argemiro Brum (Universidade de Ijuí/RS) e Ricardo Dalthein (técnico do DIEESE/RS), que falaram sobre o impacto do MERCOSUL sobre o nível de renda e emprego dos trabalhadores. Os dois especialistas questionaram a forma como está sendo feita a integração, o curto prazo previsto para realizá-la (até 1994) e os reais beneficiários desta integração. O MERCOSUL é um projeto que visa a integrar o Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai, eliminando totalmente as tarifas aduaneiras entre esses países até 1994. Os especialistas, entretanto, destacaram que a integração não pode se limitar ao campo comercial, mas precisa estender-se a outros aspectos da economia, das políticas desses países e até mesmo da legislação e da cultura. Por isso, dificilmente poderá ser feita uma integração completa até 1994. Por outro lado, a integração trará consequências importantes para a agricultura brasileira, e a velocidade com que se pretende fazê-la pode custar a sobrevivência de muitos pequenos produtores, que não terão condições de competitividade. Ao final do Encontro, ficou decidido elaborar um documento do Movimento Sindical dos Trabalhadores Rurais (MSTR) criticando a maneira, a forma, o tipo e o prazo da integração em andamento; organizar estudos, encontros e trocas de informações que permitam aprofundar a discussão sobre o MERCOSUL e seus efeitos e assegurar a participação permamente do MSTR nos sub-grupos 8 e 11 do MERCOSUL, que tratam, respectivamente, de política agrícola e relações de trabalho, emprego e seguridade social (jornal O Trabalhador Rural no.4/92).