O presidente Fernando Collor de Mello, 42 anos, tentou ontem tirar do noticiário as especulações de que poderia renunciar, ao convidar os jornalistas para uma conversa no Palácio do Planalto. Nos 76 minutos do encontro, disse várias vezes que a renúncia estava descartada: "Ficarei até o último dia do meu mandato". Collor afirmou que aguarda a palavra da Justiça, que vai "restabelecer a verdade", comentando que as instituições estão funcionando. "Tenho, em respeito ao meu mandato, que vou cumprir na sua absoluta integridade, de rebater de forma exaustiva a essas denúncias até que a Justiça aponte a verdade", disse. Collor reiterou não ter vínculos com PC Farias, sem citar o nome do empresário. Condenou o que seria uma "república facista" que não respeita os processos normais da Justiça. Collor disse estar sofrendo um "massacre", mas, "graças a Deus", consegue manter o ritmo "normal do governo". Afirmou que não vê ameaça institucional. "Não há clima de instabilidade. Há um clima que eu diria artificial. O que há é muita especulação", comentou. Ele lamentou que esteja havendo processos "paralelos à Justiça". Disse que o "processo paralelo" seria um suposto prejulgamento feito através de jornais que, ao acatarem as denúncias, condenam. O presidente afirmou ainda que "aqueles que queiram atribuir algum tipo, alguma sugestão de que eu esteja assistindo de maneira contemplativa a atitudes de A, B ou C, que mostre na Justiça. Na prática, respondi não só por palavras, mas com atos comprometidos para a elucidação desses fatos" (FSP) (O Globo) (JB).