A proximidade de instalação do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) começa a estimular negócios no setor de material de construção entre empresas do Rio Grande do Sul e da Argentina. Um exemplo disso é o da Corepe-- Comércio e Representação de Materiais de Construção Ltda., de Canoas, que pretende montar uma franquia na cidade de Concórdia, na província de Entre Rios, em sociedade com o empresário José Alberto Bourren, dono da Bourren e Companhia. Com cinco lojas no Rio Grande do Sul, uma própria, de cinco mil m2 de área construída, e quatro franqueadas-- em Santa Maria, Erechim, Novo Hamburgo e Porto Alegre-- a Corepe detecta na Argentina a existência de um filão de mercado na linha "top" de materiais, principalmente de cerâmicas, louças e metais. Ivan Luiz Sandini dono da Corepe, informa que, depois de concluir as tratativas com o empresário argentino, o início das operações da Bourren como loja franqueada levará pelo menos seis meses. Isso porque, para a transferência de "know how", a Corepe deverá promover o treinamento de pessoal da empresa argentina em Canoas, seguindo-se a apresentação de fornecedores brasileiros à Bourren. Precisamos orientá-los na classificação de materiais como azulejos,
47833 pisos e outros itens, explicou ele. "Isso faz parte da característica da Corepe, que se utiliza da logomarca "Classe A" em material de construção". Conforme Sandini, uma vez concluídas as negociações com a Bourren, a Corepe deverá transportar por via rodoviária uma série de itens de materiais de construção, cujas alíquotas oscilam hoje entre 50% e 53%, o que deve ser reduzido para zero no final de 94. Mesmo assim, ele diz que o convênio com a Bourren deverá compensar porque os preços no Brasil são inferiores. Na Argentina o custo do metro quadrado de área construída está em US$320, cerca de 40% superior ao Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil no Rio Grande do Sul. Criada há 12 anos, a Corepe comercializa mais 14 mil itens de materiais de construção. Entre seus principais fornecedores são relacionados a Tigre e Eluma (material hidráulico); a General Electric (material elétrico); a Bticino-Pio (interruptores); Ideal e Deca (louças); Portobelo, Incepa, Eliane, Floramica e Decorite (cerâmicas), além de mais de 60 empresas na linha de metais. Com cerca de 2,5 mil arquitetos cadastrados e 800 construtores, a companhia anuncia, para o primeiro semestre, um acréscimo de 7% nas vendas diante de igual período do ano passado, tendo o CUB como referência. O valor das receitas não foi divulgado (GM).