EXPORTAÇÃO PARA O MERCOSUL CRESCE 84%

Um ano após ser implantado pelo Tratado de Assunção, o Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL) já mostra resultados: as exportações brasileiras para Argentina, Uruguai e Paraguai cresceram 84% nos quatro primeiros meses do ano, atingindo US$1,085 bilhão, comparado com US$589 milhões no mesmo período do ano passado. Com esta virada, a Argentina passou a ser o segundo maior parceiro comercial do Brasil, perdendo apenas para os EUA, e desbancando Alemanha, Japão e Holanda. E o intercâmbio comercial entre os quatro países, que foi de US$3,1 bilhões em 1990, passou para US$4,9 bilhões em 1991, e poderá fechar este ano em US$6 bilhões, segundo previsão do chefe do Departamento de Integração do Itamaraty, embaixador Rubens Barbosa. Aos empresários brasileiros ainda céticos, Barbosa oferece outro argumento: os dois parceiros comerciais históricos brasileiros, Comunidade Econômica Européia (CEE) e Estados Unidos, estão se tornando mercados cada vez mais difícies. A CEE estagnou sua participação em 30% das exportações brasileiras, e os Estados Unidos cairam do patamar de 30% para cerca de 20%. Em compensação, os países do MERCOSUL, que consumiram 4% de nossas exportações em 1989 e 1990, aumentaram sua participação para 7,3% em 1991 e já estavam em 10,2% até abril deste ano, consumindo US$1,085 bilhão, dos US$10,625 bilhões exportados pelo Brasil. Além de estar em franca expansão, o MERCOSUL forma um mercado nobre, segundo o embaixador, pois 88% das exportações para a região são de produtos manufaturados, índice superior à média das exportações em geral, onde os manufaturados representam apenas 60% das vendas. Nos três primeiros meses do ano, por exemplo, 43% das vendas para a Argentina, o maior parceiro do Brasil na região, foram formadas por produtos químicos e equipamentos, produtos metalúrgicos, e 26% por automóveis e peças. Um novo impulso poderá ser dado ao programa de integração no próximo dia 26, quando se reúnem em Las Lenas, Argentina, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello, Argentina, Carlos Menem, Uruguai, Andres Lacalle, e do Paraguai, Andrés Rodriguez. Do encontro poderá sair o cronograma com os passos que deverão ser dados pelos países até 1994, data final para a implantação do livre mercado, e também o estatuto da empresa binacional, a ser assinado entre Brasil e Argentina. O acordo permitirá que empresas de capital bi-nacional, com participação limitada de sócios estrangeiros, recebam os mesmos benefícios das empresas de capital brasileiro ou argentino. Deverá ser assinado também o acordo de navegação fluvial, deflagrando de modernização da hidrovia Paraná-Paraguai, que une com seus 3.500 km a Bolívia aos quatro países do MERCOSUL. Também merecem destaque em sua lista de prioridades o gasoduto que trará ao Brasil o gás boliviano e argentino e a construção do Eixo Rodoviário sul-americano, que ligará Porto Alegre, Montevidéu, Colônia e Buenos Aires. O projeto será construído inteiramente com capital privado, sendo a obra paga com os resultados da exploração comercial da via. A Lei de Concessão dos Serviços Públicos, aprovada pelo Congresso brasileiro na semana passada, permitirá que o Brasil se integre ao programa nas condições dos demais países. O embaixador observa que o MERCOSUL também foi descoberto pela comunidade internacional. Os Estados Unidos já assinaram acordo de cooperação com o MERCOSUL, e a Comunidade Econômica Européia já tem até um escritório ligado ao Mercado. O mesmo interesse foi demonstrado pelos japoneses (JB).