As exportações brasileiras de soja em grão e de farelos para a Comunidade Econômica Européia (CEE) poderão, nos próximos meses, ser seriamente prejudicadas. O motivo é a decisão tomada ontem pelo Conselho do GATT (Acordo Geral de Tarifas e Comércio) de autorizar a CEE a modificar tarifas de importação para aqueles produtos e outras oleaginosas, como semente de girassol e colza, usado em ração animal. O Brasil é o maior exportador de farelo de soja para a Europa, alcançando em 1991 cerca de US$1,2 bilhão, ou 6,5 milhões de toneladas. A decisão decorre de proposta apresentada pela CEE para solucionar seu contencioso com os EUA na área das oleaginosas, que se arrasta desde 1988. Com a iniciativa, os europeus respondem às ameaças dos EUA, anunciadas em abril, de sobretaxar as importações de vários produtos da CEE, no valor de US$2 bilhões, caso os europeus não eliminem os subsídios pagos aos seus produtos. Esses subsídios seriam a causa do problema da perda de mercado sofrida pelas oleaginosas norte-americanas na CEE. O GATT autorizou a CEE a negociar com os países exportadores e discutir com eles, caso rejeitem as novas tarifas, forma de compensação (JB).