Campeã nacional de analfabetismo, título que Alagoas detém nos últimos 15 anos, e titular brasileira em mortalidade infantil, o estado atingiu agora outro triste recorde: 28% das adolescentes alagoanas de 11 a 18 anos já são mães e 35% das crianças nasceram prematuramente. Segundo pesquisa feita pelo Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher (Cedim), 62,12% das adolescentes que engravidaram não receberam orientação sexual e 84,68% delas não fizeram uso de anticoncepcionais. Da mesma forma, 76,59% engravidaram na primeira relação sexual. Depois de darem à luz, 55,74% das adolescentes continuaram sem usar anticoncepcionais. O levantamento envolveu 236 meninas em Maceió e 364 no interior do estado. De tanto esperar providências do governo federal, para quem enviamos o
47780 documento pedindo ajuda para Alagoas tentar neutralizar, pelo menos essa
47780 violência, resolvemos tomar outro rumo, diz a presidente do Cedim, Cleonice Ferreira. "Estamos agora mobilizando as escolas da rede privada, que têm mostrado interesse em desenvolver um programa de conscientização aos adolescentes, já que o setor público não tem revelado interesse em resolver esse tipo de problema", afirmou. A pesquisa revelou ainda que das 236 adolescentes entrevistadas em Maceió, 27% tiveram relações sexuais entre oito e 10 anos e 37,02% entre os 11 e 14 anos, enquanto 61% dos casos envolveram adolescentes na faixa de 15 aos 19 anos. No universo determinado pela pesquisa, ressalta-se que 62,97% das entrevistadas ficaram grávidas dos 15 aos 17 anos e 19,14% entre 12 e 14 anos, ao passo que 17,87% só engravidaram quando estavam com idade superior a 17 anos. A origem social das adolescentes pesquisadas é de baixíssima renda (JB).