ERMÍRIO CRITICA AÇÃO DE BANCOS

O empresário Antônio Ermírio de Moraes, diretor-superintendente do Grupo Votorantim, disse ontem, em São Paulo, que o sistema financeiro perdeu a característica original de agente de alavancagem da produção para entrar na engrenagem da ciranda dos lucros fáceis, proporcionado pelo giro de títulos do governo na rolagem da dívida pública. "Banco foi feito para emprestar dinheiro. Nosso grupo, por exemplo, sempre manteve investimentos com 70% de capital próprio e 30% tomados nos bancos. Mudamos essa relação para 80% e 20%, baixamos mais e hoje só aplicamos se tivermos recursos. Quem depender de bancos quebra", afirmou. O empresário acredita que o governo deveria relaxar mais a taxa de juros, mesmo sob o risco de um aumento no consumo e expansão da inflação. "É um risco que temos de passar, embora essa redução possa ser programada quinquenalmente, por exemplo". O empresário disse que os bancos perderam suas funções e que quando a inflação baixar terão dificuldade em continuar ganhando apenas com empréstimos a empresas, por falta de costume nessas operações. Para Antônio Ermírio de Moraes, a saída para o Brasil não é o ajuste fiscal, mas a agricultura. "Usamos no máximo 25% das terras agricultáveis e irrigamos somente 1% desse total. Em vez de estimularmos nossa vocação agrícola, ficamos querendo entrar em áreas mais competitivas. Poderíamos trocar tecnologia por alimento com os russos, que estão passando fome e não enxergamos essa oportunidade", comentou (JB).