Depois do ex-presidente da PETROBRÁS Luiz Octávio da Motta Veiga, outro funcionário do primeiro escalão do governo Collor-- o ex-presidente do Banco Central Ibrahim Eris-- revelou as pressões que sofreu do empresário Paulo César Farias, o PC, para entrar em negócios irregulares. O fato vem sendo mantido em sigilo por Eris, que, depois de deixar o governo no ano passado, resolveu ficar longe do noticiário. Ele revelou, entretanto, que antes mesmo da queda de Zélia Cardoso de Mello do Ministério da Economia, pediu demissão devido a atritos com PC. Eris contou que, sem resultado, PC lhe propôs negócios irregulares para a conversão da dívida e a rolagem da dívida dos usineiros. No segundo semestre de 1989, começaram a ocorrer no mercado financeiro boatos de que Eris vinha se beneficiando de sua condição de presidente do BC: ele adiantaria informações a corretoras de amigos que ganhariam em operações de câmbio e principalmente na compra e venda de ouro. Ibrahim passou a investigar a origem desses boatos. Chegou a PC que, segundo suas descobertas, estaria dizendo que tais operações já teriam rendido US$50 milhões. O ex-presidente do BC acredita ter, nessa época, sentido uma mudança no comportamento do Palácio do Planalto, onde vinha recebendo seguidos elogios do presidente e de seus assessores. "Passaram a ter um comportamento frio, distante e desconfiado", disse (FSP).