BRASIL E ARGENTINA DEFINEM ACORDO

Já está em implementação o primeiro acordo firmado entre empresários do setor químico e petroquímico do Brasil e da Argentina para o comércio bilateral de metanol. Através desse acordo, os dois países se comprometem, cada um, a comercializar entre si até 10 mil toneladas por ano de metanol para fins petroquímicos com tarifa zero de importação. É um acordo bilateral de restrição voluntária, firmado no último dia 4, com definição de cotas, que envolve pequeno volume de recursos, da ordem de US$2 milhões para cada um dos parceiros, mas que "já representa um primeiro passo para novos acordos setoriais no âmbito dos países que integram o Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL)-- Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai", acredita o presidente da Associação Petroquímica Latino-Americana (Apla), Michel Hartveld. Em 1990, as importações totais brasileiras de metanol somaram 460 mil toneladas. As negociações entre empresários brasileiros e argentinos com o objetivo de outros acordos bilaterais na área química e petroquímica já estão em curso. No próximo dia 3, eles se reúnem em Porto Alegre (RS) para discutir possíveis acordos de restrição voluntária entre os países na área de matérias-primas poliolefinas (polietileno e polipropileno), que resultem, principalmente, na organização do fluxo de comércio e de produção de petroquímicos do Brasil e da Argentina. Deste encontro deverão participar as centrais petroquímicas brasileiras e argentinas, representantes da PETROBRÁS e da estatal argentina Yacimientos Petroliferos Fiscales (UPF). A ordenação do comércio de petroquímicos entre os dois países é considerada fundamental por Hartveld para evitar concorrências predatórias. Ainda mais diante de uma conjuntura de excedentes mundiais de petroquímicos. Ele lembrou que o Brasil tem uma capacidade instalada para a produção de 600 mil toneladas ano de polietileno, para um mercado interno que absorve apenas 450 mil toneladas anuais. E com a entrada em operação de duas novas unidades da COPENE, esta capacidade instalada crescerá em mais 250 mil toneladas. Da mesma forma, a Argentina enfrenta um excedente de produção da ordem de 150 mil toneladas por ano de polietileno. De acordo com Hartveld, também presidente da União de Indústrias Petroquímicas (Unipar), o comércio Brasil-Argentina de petroquímicos atinge cerca de US$50 milhões por ano, um volume relativamente pequeno, mas que, segundo ele, poderá ser ampliado significativamente, com o processo de redução de tarifa (GM).