Um encontro secreto mantido ontem, em Brasília (DF), entre o governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães (PFL), e o deputado federal Ulysses Guimarães (PMDB-SP), deu início à mobilização de algumas das principais lideranças políticas para evitar que se instale no país uma crise institucional, qualquer que seja o resultado das investigações da CPI que apura as atividades do empresário Paulo César Farias. Depois de uma conversa de mais de uma hora, o deputado informou que ele e o governador reconheceram que "a situação é extremamente grave, mas deve ser tratada com muita serenidade, para que se evitem soluções de desdobramentos imprevisíveis". Ulysses Guimarães disse ainda que, como ele, o governador defende que a CPI continue desempenhando, sem pressões, o trabalho de apuração, até apontar os eventuais culpados. "A CPI é o instrumento legal para orientar as futuras decisões do Congresso", disse Ulysses. Antônio Carlos afirmou que, a esta altura, a CPI não se distingue mais entre governo e oposição, mas cumpre o dever da instituição de ir até às últimas consequências nas apurações. O governador, no entanto, ao admitir a existência de fortes indícios que incriminam PC, ressaltou não existirem provas do comprometimento do presidente Fernando Collor nas ações do seu ex-caixa de campanha (O Globo).