Depois de divulgar sua Carta da Terra, um guia de referências para ações ambientalistas, e 32 tratados, contendo compromissos específicos de ação, as ONGs do mundo divulgaram ontem sua Declaração do Rio de Janeiro, um conjunto de princípios políticos gerais para as mudanças no planeta. São oito pontos mais vagos e menos abrangentes que os itens da Carta da Terra, justificados como referência "conceitual" para as ONGs, segundo Tânia Pacheco, assessora do Fórum de ONGs Brasileiras, entidade que redigiu o documento. O primeiro ponto destaca a necessidade da elaboração de "um novo projeto civilizatório, fundado sobre uma ética que determine e fundamente limites", entre outros valores. Em cada item, procura-se apresentar uma crítica e uma proposta, nem sempre originais, como no compromisso 3, que propõe a união das "forças da sociedade que aspiram por mudanças contra as forças que querem a manutenção desse status-quo". As ONGs recusam "energicamente que o conceito de desenvolvimento sustentável seja transformado em mera categoria econômica", em trecho do segundo ponto. Criticam também a própria Rio-92, ressalvando que "em muitos casos, cidadãos e opiniões públicas fizeram avançar as posições de seus governos". Segundo Tânia Pacheco, o documento já se chamava de Declaração do Rio de Janeiro quando a ONU resolveu rebatizar a sua Carta da Terra com este mesmo nome. Por sua vez, as ONGs pretendem que a sua Carta da Terra substitua a Declaração do Rio de Janeiro da ONU em 1995 (JB).