Com a gravidade e a consciência de quem está propondo para o Terceiro Mundo um programa de ação em que a ecologia, ao lado do desenvolvimento, aparece como sua principal preocupação e como "fator de união de todos os países, o presidente de Cuba, Fidel Castro, conversou ontem, no Rio de Janeiro, com este jornal. "Das consequências da ecologia ninguém escapa, e isso todo mundo sabe", disse ele, numa entrevista em que abordou temas como a pena de morte, o bloqueio econômico a seu país, a sua sucessão e até um embaraço que não houve: o encontro com o presidente dos EUA, George Bush. "Teria sido um problema se resolvêssemos nos falar", admitiu. Embora responsabilizando o "terrível luxo e esbanjamento" da sociedade de consumo pela degradação do meio ambiente do planeta, Fidel Castro abandona a estratégia do contronto e surpreende ao propor a união do Primeiro e do Terceiro Mundo na salvação ecológica da Terra. "Creio na necessidade imperiosa de trabalhar unido. Se não o fizermos, não haverá solução", afirma (JB).