Não há preservação ambiental que resista à pobreza. Esta questão distanciou ricos e pobres na Rio-92. Para os representantes dos pobres, se a "preservação da espécie humana ainda não está assegurada, preocupar- se com árvores derrubadas ou gases jogados na atmosfera acaba sendo supérfluo e inútil". Mais peso no "desenvolvimento" e menos no "meio ambiente" é o que pregaram os países pobres como único caminho para se chegar à preservação. "Os problemas ambientais estão totalmente ligados ao desenvolvimento e à melhoria de vida. É preciso discutir a pobreza. Na África, os povos das florestas cortam as árvores para obter energia. Com desenvolvimento, se chegaria a novas fontes e as árvores seriam deixadas em pé. A pobreza leva a um esgotamento dos recursos ambientais", explicou o conselheiro da ONU, James Naadjin, de Gana. Para os países pobres, as esperanças de reverter o quadro de miséria que sempre enfrentaram estão depositadas no futuro-- mais propriamente na Agenda 21. Mesmo assim, ainda não há qualquer garantia de ajuda. "Tudo vai depender dos mecanismos financeiros para repassar os recursos e da boa vontade dos governos", disse o chefe do Departamento Regional do Ministério do Planejamento de Angola, Victor Hugo Guilherme. A conferência não foi realizada apenas para discutir a preservação das
47687 plantas, mas da principal espécie que habita o planeta: o ser humano. Sem
47687 educação, por exemplo, é insustentável qualquer esforço para preservar o
47687 ambiente, alertou o embaixador e chefe da delegação da Venezuela, Diego Arria (JB).