Os países ricos venceram. Eles saem da Rio-92 sem se comprometer oficialmente com uma meta de financiamentos para projetos ambientais até o ano 2000. Segundo a ONU, são necessários US$600 bilhões por ano para levar a cabo os projetos de desenvolvimento na área ambiental em países do Terceiro Mundo, inclusive no Brasil. Desse total, os países ricos contribuiriam com US$125 bilhões, na forma de doação ou empréstimos a juros subsidiados. Os US$475 bilhões restantes devem ser gerados pelos países onde são realizados os projetos. O capítulo 33 da Agenda 21, o principal documento da Rio-92, trata da questão de finanças. Uma das formas pensadas para resolver o financiamento foi recuperar uma velha forma sugerida pela ONU: comprometer os países a destinar 0,7% de seu PIB para projetos de desenvolvimento e meio ambiente. O PIB global é de aproximadamente US$20 trilhões. A sugestão foi amplamente rechaçada pelos países ricos. A meta do ano 2000 foi atenuada no texto para "até o ano 2000 ou assim que possível depois disso". No lugar de se comprometerem com um documento, os ricos preferiram fazer anúncios unilaterais de dinheiro para o meio ambiente. Os EUA anunciaram US$250 milhões. O Japão, US$7,7 bilhões durante os próximos cinco anos. Na avaliação do secretário-geral da Rio-92, Maurice Strong, foram anunciados entre US$6 bilhões e US$10 bilhões por ano em dinheiro novo na conferência. O fracasso na área financeira ainda não pode ser medido totalmente. A parte principal do dinheiro terá mesmo que sair dos países onde os projetos ambientais serão realizados. Como a maioria desses países está no Terceiro Mundo, também fica indefinido um cronograma de execução para a Agenda 21 (FSP).