No balanço final que fazem da Rio-92, os participantes do Fórum Global das ONGs e Movimentos Sociais chegaram a um consenso sobre a maior falha da conferência da ONU: não ter colocado em discussão a necessidade de revisão do modelo de desenvolvimento do planeta-- em particular, a revisão do padrão de vida consumista do Norte. A norte-americana Bárbara Bramble, diretora da National Wild Life Federation, aponta esse modelo como o grande vilão da degradação ambiental. Ela diz que predominou na conferência a visão de que o livre mercado por si só pode resolver os problemas sociais e ambientais dos países. "O livre mercado tem seu valor, mas tem que ser regulado socialmente", diz. Na mesma linha de raciocínio, as ONGs brasileiras elaboraram a Declaração do Rio, divulgada ontem, em que defendem um controle democrático sobre "as grandes corporações transnacionais e o chamado livre mercado". Para orientar e fortalecer lutas comuns em níveis nacional e internacional, as entidades elaboraram 32 tratados sobre os mais diversos temas-- como direitos da mulher, agricultura sustentável e modelos de desenvolvimento econômico alternativo. As ONGs reivindicam que governos e indústrias ampliem os fundos dirigidos a pesquisas de desenvolvimento e aprefeiçoamento de fontes de energia renovável e parem de usar energia nuclear. Criticam a Rio-92 por não ter discutido o militarismo ainda reinante no planeta, e afirmam que lutarão por sua desmilitarização. O Fórum Global recebeu, segundo seus organizadores, cerca de 15 mil convidados, 17.500 participantes, 356 expositores e seis mil jornalistas por dia (FSP) (O Globo).