DIFERENÇA SALARIAL NO PAÍS

A distância que separa os altos executivos e os operários de uma indústria, no Brasil, pode ser medida pelo número de salários que os executivos de primeiro escalão recebem a mais do que seus funcionários. Um metalúrgico de São Bernardo do Campo (SP), por exemplo, cujo salário está em US$450, precisaria trabalhar três anos e meio para conseguir obter o salário que o vice-presidente de uma montadora de veículos ganha em um mês, que pode chegar a US$16 mil. No Brasil, o salário de um operário é, em média, 35,6 vezes menor do que de um alto executivo. No Chile, a diferença é de 10,7 vezes; nos EUA, de 13,5; enquanto no Canadá a diferença salarial é de 5,2 vezes. Um dos únicos pontos positivos da recessão pode ter sido o encurtamento do espaço entre os maiores e menores salários numa empresa, em função do achatamento salarial e da nova legislação. A Lei 8.222 tem garantido para quem ganha até três salários-mínimos uma reposição, a cada dois meses, de 50% da inflação. Até outubro de 1991, um executivo de primeira linha ganhava 43 vezes o salário médio de um operador de produção que recebia, na época, US$271 por mês. Essa queda, de 43 para 35,6 vezes foi detectada em uma pesquisa realizada pela empresa de auditoria Coopers & Lybrand sobre os procedimentos de remuneração adotados por 170 empresas. Segundo Vicente Picarelli Filho, diretor de Consultoria em Recursos Humanos, apesar dos números da pesquisa, a distância entre o trabalhador e o alto executivo da empresa é exagerada no Brasil (JB).