O CFM (Conselho Federal de Medicina) aprovou na semana passada parecer que aborda pela primeira vez temas como a eutanásia e o trabalho de médico infectado pelo vírus da AIDS (HIV). Estima-se que já existam algumas centenas de médicos portadores do vírus entre os 55 mil que atuam no Estado de São Paulo. Nos EUA, o número de membros da categoria infectados é calculado em 10 mil. Nas 12 páginas do parecer, o tema mais polêmico é o do médico infectado pelo HIV. O documento sugere, por exemplo, que o médico portador do vírus se afaste voluntariamente de práticas cirúrgicas onde o risco de contaminação é maior. Os limites de atuação desse profissional devem ser estabelecidos através de análise conjunta onde participe o médico infectado, seu próprio médico, e a direção do hospital. O documento afirma que até hoje nenhum caso de transmissão da AIDS de um médico a seu paciente foi registrado no mundo. Ressalva, no entanto, que o risco é teoricamente possível, pois profissionais já passaram o vírus da hepatite B durante cirurgias. O documento afirma também que a prática da eutanásia é proibida pelas leis brasileiras e pelo Código de Ética Médica, mas avalia ser a hora de se discutir até onde o médico pode prolongar a vida de pacientes terminais. O documento lembra que em muitos países já se adota uma espécie de testamento feito pelo paciente num momento de sua vida em que se encontra lúcido. Sabendo que irá perder sua capacidade de decisão, ele estabelece o tipo de recursos a ser utilizado na manutenção de sua vida terminal (FSP).