O Brasil e seus vizinhos latino-americanos estão atrasados no processo de formação de blocos econômicos. O MERCOSUL (Mercado Comum do Cone Sul) é muito recente, comparado ao estabelecimento da Comunidade Européia (CE), e mesmo dos Tigres Asiáticos e da Zona de Livre Comércio da América do Norte, que inclui EUA, Canadá e México-- estes dois últimos blocos formados através de acordos comerciais diferentes do assinado entre os países do velho continente, que pressupõe a inexistência total de barreiras alfandegárias tanto para os trabalhadores quanto para as mercadorias entre os países membros. O MERCOSUL é uma tentativa de compensar, no âmbito da América Latina,
47651 as perdas que o Brasil e os demais países do continente inevitavelmente
47651 sofrerão com a efetivação dos demais blocos econômicos, explicou José Clemente de Oliveira, vice-presidente do Instituto dos Economistas do Rio de Janeiro (IERJ) e diretor da COPENE (Companhia Petroquímica do Nordeste). Ao analisar a criação do MERCOSUL, o economista destacou a importância para os países membros, que poderão se tornar mais competitivos no mercado internacional, caso os acordos saiam do papel. O MERCOSUL, lembrou José Clemente, não é a primeira tentativa de formação de um mercado comum na América do Sul. Na década de 60 foi criada a Associação Latino- Americana de Livre Comércio (ALALC) que, no entanto, não apresentou resultados concretos. Os objetivos de então eram similares aos do MERCOSUL: facilitar o fluxo de mercadorias entre os países membros e o intercâmbio de tecnologia, de forma a proporcionar condições de desenvolvimento mais rápido e crescimento econômico conjunto. Estão são também os objetivos primordiais dos blocos econômicos em outras partes do mundo nos últimos anos. "Embora a década de 80 tenha sido perdida para o Brasil, foi um período de revisão de valores e prioridades para os países mais desenvolvidos, com a definição de metas para os próximos anos. Este processo resultou na formação de vários blocos econômicos que respondem, atualmente, por uma participação mais ativa no comércio internacional. Também neste aspecto o Brasil está atrasado e na contramão da história, embora o governo Collor tenha adotado uma postura liberal, abrindo a economia e permitindo a importação de diversos produtos, antes proibida, e acelerando o cronograma de redução das alíquotas de importação. Os países que optaram pelo liberalismo na última década, afirmou José Clemente, são os que hoje estão adotando políticas alfandegárias protecionistas como forma de preservas o mercado interno e a indústria nacional. "A formação dos blocos econômicos representa mais um meio de proteção ao mercado", acredita. Dentro deste quadro, o Brasil poderá sofrer perdas ainda maiores. José Clemente cita a Comunidade Européia, onde a concorrência dos produtos brasileiros será cada vez mais acirrada. "O produto de origem brasileira estará competindo com outro fabricado, por exemplo, na França, e vendido no mercado português. O francês será mais barato e, portanto, mais atraente, porque o consumidor não arca com os impostos que pagaria sobre o brasileiro", explicou (JC).