O Fórum das ONGs encaminhou ontem à Rio-92 a primeira proposta sobre a Terra e os recursos minerais. No relatório, que servirá de base nas discussões, tanto no Fórum como na conferência oficial da ONU, as ONGs brasileiras alertam que assim como o verde das florestas brasileiras, os minerais prosseguem sendo explorados em escala crescente. Alguns séculos após o descobrimento, a exploração de bilhões de toneladas de minérios trouxe resultados muito aquém do que as lições da escola anunciaram, segundo os relatores dos estudos. O valor das reservas minerais brasileiras, segundo o estudo, atingem US$1,6 tilhão e o valor da produção no ano passado atingiu US$9,5 bilhões. O setor mineral foi o ramo que mais cresceu nos últimos 10 anos-- uma média de 6,8% ao ano. Boa parte desta expansão se fez a custa do endividamento externo . Não o Projeto de Carajás, mas também a de abastecimento de energia para a Hidrelétrica de Tucuruí foi construída para atende a expansão da indústria de ferro e de alumínio da região Norte. Os ecologistas denunciam o uso do mercúrio como fonte de poluição na Amazônia e constatam que 500 mil garimpeiros vivem desta atividade nessa região, expulsos do campo e sem emprego nas grandes cidades. O garimpo vem se tornando uma das últimas alternativas de sobrevivência para boa parte dos brasileiros privados de terra e de emprego. O documento das ONGs sugere que as exportações minerais se limitem aos volumes excedentes permitindo o ingresso de minerais de que o Brasil necessita. Os ecologistas pedem ao governo brasileiro que se faça no país uma campanha de reciclagem de minerais e metais. Outra proposta apresentada pelas ONGs ressalta a necessidade de apoio aos pequenos projetos minerais. Elas destacam ainda que o controle da decisão dos investimentos e da produção mineral brasileira, deve ser feita no Brasil, sob o controle das autoridades do setor. O documento informa que o Brasil vem buscando aumentar as exportações e reduzir as importações, e que esse crescimento vem sendo usado com o objetivo de saldar os compromissos da dívida externa (em boa parte gerados pela própria expansão do setor) (GM).