BRASIL SAI LUCRANDO COM A RIO-92

A Rio-92 foi um dos melhores negócios que o Brasil já fez. Na preparação da conferência foram gastos menos de US$25 milhões, mas o retorno em projetos ambientais já chega a US$946,8 milhões. Outros recursos que podem ser confirmados ainda durante a conferência podem elevar esse valor para US$2,58 bilhões. Além dos valores absolutos, a conferência foi marcada pelo anúncio da primeira conversão da dívida externa em projetos ambientais. Apesar do valor um tanto tímido (US$2,2 milhões), esse projeto abre caminho para novas conversões. O principal financiador do Brasil até agora foi o Japão. O Grupo dos Sete (G-7) deve financiar projeto de US$248 milhões para preservação das florestas. Até o momento, já foram liberados US$53,6 milhões. O Global Environment Facility (GEF), do Banco Mundial (BIRD), já aprovou a utilização de US$10,8 milhões para vários projetos ambientais em todo o país. Os recursos totais chegam a US$93,8 milhões. O presidente do Grupo de Trabalho Nacional (GTN) que organizou a Rio-92, ministro Carlos Garcia, disse que menos de US$9 milhões foram gastos na preparação da conferência propriamente dita. O restante, entre US$15 milhões e US$16 milhões, foram empregados em investimentos de base, como 900 carros, 15 mil cadeiras e 190 computadores que continuarão a ser utilizados após a Rio-92. Além dos US$946,8 milhões já aprovados para programas ambientais no Brasil, há a possibilidade de liberação de mais US$1,64 bilhão em novos recursos, o que totalizaria US$2,58 bilhões. O Brasil também deverá receber uma boa fatia dos novos fundos internacionais para preservação ambiental, que chegarão a US$8 bilhões, segundo diplomatas. São os seguintes os recursos já aprovados: US$53,6 milhões do G-7, para a preservação das florestas tropicais; US$150 milhões para projetos ambientais em todo o país, financiados pelo governo alemão; US$22 milhões do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o Fundo Nacional do Meio Ambiente; US$708 milhões do Overseas Economic Cooperation Fund, do governo do Japão, para programas ambientais no Rio de Janeiro e São Paulo; US$2,2 milhões da Nature Conservancy (entidade ambientalista) em conversão da dívida externa, para o Parque Nacional Grande Sertão Veredas, em Minas Gerais; US$10,8 milhões do GEF e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para pesquisas de biodiversidade e biomassa; e US$200 mil do PNUD para projetos de cooperação técnica (O Globo).