Os participantes do Fórum Global se concentrarão hoje na conclusão dos 15 tratados que ainda restam para ser fechados. Além disso, estudarão uma ação conjunta para fiscalizar o cumprimento dos acordos firmados durante o evento e farão "lobby" junto às delegações oficiais da Rio-92 no Riocentro. Ontem, 16 comissões encerraram seus trabalhos. Agora, a preocupação dos ecologistas é criar mecanismos para cumprir os acordos. Alguns, como os que integraram a comissão de pesca, já encontraram uma solução: a organização de uma rede mundial para o monitoramento do mar, que será coordenada pelo Greenpeace. O Fórum Internacional das ONGs, o maior "pool" de movimentos sociais já reunidos no mundo, apresentou quatro dos tratados: Consumo e Estilo de Vida, Comércio, Biodiversidade e Resíduos. "Os tratados das ONGs não são uma alternativa ao que os governos podem e deveriam fazer, mas compromissos com ações específicas que a sociedade civil está apta a realizar", disse a holandesa Marie Canandonk, coordenadora do tratado sobe Consumo e Estilo de Vida. No documento sobre a Biodiversidade, uma das diferenças básicas em relação à convenção oficial é o não reconhecimento da agência GEF como financiadora dos novos programas ambientais, e a convocação de um novo fundo "democrático e transparente". Os documentos foram elaborados por representantes de 1,2 mil ONGs. O tratado sobre Comércio suscitou uma bateria de críticas às negociações oficiais. "A Agenda 21 ratifica a política do GATT, que recomenda o livre mercado como forma de alcançar o desenvolvimento sustentável. Partimos do princípio de que as duas coisas são incompatíveis", explicou a brasileira Maria Clara Couto Soares, do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), coordenadora do tratado. O tratado sobre Comércio das ONGs recomenda que as regras internacionais não retirem do poder público a capacidade de estabelecer políticas ambientais no setor. O Fórum Internacional anunciou para amanhã, no Museu da República, a apresentação pública dos 30 tratados, que estarão abertos para assinaturas de cidadãos e entidades. Também ontem, um tratado simbólico de proteção aos oceanos bolado pelas ONGs foi assinado, debaixo de água, por Daniela e Leonardo, de 12 anos, que mergulharam na Baía de Guanabara. O tratado apresenta quatro princípios gerais e 20 planos de ação. Os princípios ressaltam a interação existente entre todos os ecossistemas marinhos e a necessidade de preservá-los. No Tratado dos Oceanos está prevista também a proteção das mudanças atmosféricas globais, a prevenção às extinções e à introdução de poluição biológica, o fim da exploração excessiva e a criação de áreas de pescaria (O Globo) (JB).